Learjet virou para o lado errado

Avião fez curva para a direita, direção contrária à padrão; principal suspeita é de que pane no motor derrubou jato

O Estadao de S.Paulo

05 de novembro de 2007 | 00h00

O piloto do avião Learjet 35 que caiu ontem na zona norte paulistana, Paulo Roberto Montezuma Firmino, foi avisado pela torre de controle do Campo de Marte de que estava na direção errada. Ele fazia uma curva para a direita quando o avião caiu - o procedimento correto era seguir para a esquerda. O controlador da torre alertou a tripulação sobre o erro e determinou que o procedimento fosse corrigido, mas não teve resposta. Segundos depois a aeronave atingiu três casas."Os pilotos têm um procedimento padrão e, naquele caso, era para a esquerda. A aeronave decolou e fez uma curva para a direita. O pessoal do controle avisou e pediu para corrigir o procedimento, mas o piloto não respondeu. É intrigante", disse ao Estado uma fonte do setor, em Brasília. "O procedimento de decolagem é manual e o piloto sabia que tinha de virar para a esquerda. Não há como saber o que aconteceu. Pode ter sido desde um enfarte do piloto até uma pane." Fontes ouvidas pela reportagem em São Paulo afirmaram que, pela dinâmica do acidente e pela rapidez da queda, a principal suspeita é de falha nos motores do Learjet.A Polícia Civil, por sua vez, não descarta as hipóteses de falha mecânica ou dos pilotos. A titular da 4ª Delegacia Seccional, Elisabete Sato, disse que será fundamental para as investigações a transcrição dos diálogos entre os pilotos antes da queda, registrados no gravador de voz, já retirado dos escombros e enviado ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). "Com o gravador dá para saber o que realmente aconteceu na aeronave."A delegada ouviu Émerson Evaristo, representante da dona do Learjet, a Reali Táxi Aéreo, que lhe prometeu fornecer mais dados sobre o avião - como a data da última vistoria - e os pilotos. Ele afirmou que Firmino trabalhava para a Target Táxi Aéreo e havia se transferido para a Reali havia cerca de um ano. O co-piloto, Alberto Soares Júnior, estava na empresa fazia seis meses.O analista de sistemas Vinícius Primon, de 29 anos, viu da janela de seu apartamento como foi o acidente desde a decolagem do Learjet e conseguiu gravar um vídeo. "O avião estava ganhando altura e de repente houve um barulho estranho, como se a turbina estivesse falhando. O jato se inclinou para a direita e começou a cair. Aí só vi uma nuvem de fumaça."O mestre-de-obras John Wellington de Albuquerque Sousa também testemunhou a queda do Learjet. Sousa trabalhava no telhado de uma casa na Rua Maestro Antão quando viu o avião decolar. Segundo ele, segundos depois o jato desviou de um edifício, inclinando para a direita. Sousa não ouviu mais o barulho do motor, que teria parado de funcionar. O avião caiu de bico sobre a casa.Segundo o chefe do Serviço Regional de Proteção ao Vôo de São Paulo (SRPV-SP), coronel Carlos Minelli de Sá, o avião caiu 15 segundos depois da decolagem. Na hora do acidente chovia leve na região e a visibilidade era de 4 mil metros - considerada satisfatória. "Pelo plano de vôo, ele faria uma decolagem visual e depois passaria a voar com auxílio de instrumento."Minelli preferiu não especular sobre as causas do acidente e afirmou que vai esperar o resultado do relatório preliminar da Aeronáutica, que deve sair em 30 dias. Em Brasília, a Aeronáutica informou que as investigações do acidente serão conduzidas pelo 4º Comando Aéreo Regional (Comar), sob a coordenação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Dois oficiais de segurança de vôo e dois sargentos especialistas em manutenção trabalham desde ontem no caso. LUCIANA NUNES LEAL, BRUNO TAVARES, CAMILLA RIGI e HUMBERTO MAIA JÚNIOR

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