Lei antifumo ameaça Lei do Silêncio

Calçada recebe ?festa paralela? de fumantes e associações de moradores temem mais reclamações sobre ruído

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

08 Agosto 2009 | 00h00

A lei antifumo trouxe aos moradores do entorno das áreas boêmias o receio de outro tipo de poluição: a sonora. No primeiro dia de aplicação de multas, a fiscalização fez fumantes fazerem das calçadas um refúgio, com direito a festas paralelas ao longo de toda a madrugada. As associações de moradores dizem estar "de orelha em pé". "Existem casas noturnas que já estão em locais inapropriados e o barulho extra dos fumantes pode ser um complicador", afirma o presidente do Conselho de Segurança (Conseg) de Monções, Sérgio Lucon. A entidade abrange a área da Vila Olímpia - reduto de casas noturnas na zona sul da capital paulista. "Este fim de semana será crucial para avaliarmos o problema", completa Cibele Sampaio, secretária da Sociedade dos Amigos do Brooklin Novo (Sabron). "O ruído já causa muitos transtornos e a tendência é aumentar." Olivia Costa, presidente do Conseg de Santo Amaro, afirmou que espera pela volta às aulas - quando universitários retornarão aos bares - para reforçar as "campanhas de silêncio". "A lei antifumo pode agravar um problema que já existe. A conscientização é a melhor maneira de reduzir excessos." Abrahao Badra , presidente da Associação de Moradores da Vila Nova Conceição - que também reúne bares e restaurantes - é outro que prevê uma ameaça à Lei do Silêncio. "Todos os fatores que ensejam aglomeração fora dos bares, e de madrugada, nos causam preocupação", diz. "E fica a dúvida sobre a quem poderemos recorrer", diz Badra. Ligia Horta, que fala em nome dos moradores de Moema, e já precisa enfrentar o barulho dos aviões de Congonhas, também se preocupa com essa possibilidade. Já Fuad Sallum, presidente da Associação de Moradores de Higienópolis, na zona oeste, foi testemunha do desafio que é conter o barulho dos fumantes. "Sou proprietário de um restaurante, cumpri as normas do cigarro direitinho, mas, ontem (anteontem) à noite, um grupinho saiu para fumar e ligou o som do carro. Estou refém da situação." Na Vila Madalena, também na zona oeste, até os comerciantes estão receosos de incomodar os vizinhos. "As pessoas ficam mais do lado fora e eu não quero problema com o Psiu", dizia Arnaldo Altman, proprietário do tradicional bar Filial, enquanto os clientes paqueravam, conversavam e fumavam, às 2h30, do lado de fora. A orientação, até da Prefeitura, é chamar a polícia para coibir tanto os que insistirem em acender o cigarro em ambiente interno quanto os que incomodarem fumando do lado de fora. O argumento do governo municipal é de que a "algazarra" não é medida em decibéis. Por isso, não é o Psiu - órgão responsável por fiscalizar o silêncio - que pode ser acionado. A Prefeitura informa que se trata de perturbação da ordem pública e, portanto, a atribuição é da já sobrecarregada Polícia Militar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.