Lei de SP promove disputa por espaço em Guarulhos e Osasco

Procura por áreas de publicidade externa cresceu 100%; Alphaville e Cumbica também são alvos

Lais Cattassini, O Estadao de S.Paulo

02 de janeiro de 2009 | 00h00

Proibidas de anunciar em cartazes e outdoors na cidade de São Paulo, grandes marcas e empresas passaram a procurar por espaços publicitários em outros municípios. Painéis em Guarulhos e Osasco, parte do percurso para o Aeroporto Internacional e os condomínios de Alphaville, se tornaram alvo principal das agências de propaganda.Em Guarulhos, a procura por espaços de publicidade externa cresceu mais de 100% desde o início da Lei Cidade Limpa, em 2007. Apenas em 2008 foram expedidas 850 autorizações de uso publicitário. Em 2007, foram 200 licenças. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano de Guarulhos, a diferença entre os números se deve também ao desconhecimento da legislação que obriga a empresa a obter autorização da prefeitura. Em Osasco, o fenômeno é semelhante. De acordo com a Assessoria de Imprensa da prefeitura, a Lei Cidade Limpa causou um aumento na procura por espaços de mídia exterior. Diferentemente de Guarulhos, no entanto, a cidade tem uma lei que proíbe a criação de licenças.São locais específicos que atraem os olhares dos anunciantes. "As marcas não mudaram de público. Não é interessante passar a fazer propaganda intensa em outros mercados", explica o diretor executivo do Grupo Publitas, especializado em mídia exterior, Renato Claro.Por estar fora da área de interesse das agências, São Bernardo do Campo apresenta números menores. Segundo a Secretaria de Finanças de São Bernardo, existiam, em 2007, 261 peças publicitárias no município. Em 2008, esse número cresceu 10%, com outras 27 inscrições. Em razão do direcionamento comercial dos produtos, os pontos publicitários na Rodovia Castelo Branco, que liga a capital aos condomínios residenciais em Alphaville, e também os cartazes na Via Dutra, principal acesso para o Aeroporto Internacional de Guarulhos, foram valorizados. Para a diretora geral de mídia da agência Young & Rubicam, Luciana Schwartz, o aumento na procura se dá por falta de opção para os anunciantes. "Esses locais já eram espaços caros, mas, como não podem mais explorar as áreas de São Paulo, as empresas disputam painéis nessas regiões."Em vigor desde janeiro de 2007, a Lei Cidade Limpa retirou do cenário urbano a publicidade externa. Em dois anos de fiscalização, a Prefeitura de São Paulo aplicou 2.857 multas. Os responsáveis devem pagar R$ 10 mil em valor fixo, mais R$ 1 mil por metro quadrado excedente. Segundo a Secretaria das Subprefeituras, o valor que deveria ser arrecadado com as multas chega a mais de R$ 78 milhões.

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