Lei proíbe chamar avenida de marginal em Sorocaba

Autor da lei diz que comunidade católica ficava incomodada com a associação de bispo à palavra marginal, também usada para designar criminosos

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

22 Abril 2016 | 12h43

SOROCABA – A avenida Dom Aguirre, uma das principais de Sorocaba, construída à margem do rio que dá nome à cidade, não pode mais ser chamada de marginal. Uma lei em vigor desde a quarta-feira (20), proíbe o uso da denominação 'Marginal Dom Aguirre' pela qual a avenida é conhecida há mais de 40 anos. De acordo com o autor do projeto, vereador Carlos Leite (PT), o termo à frente do nome ofende a memória do bispo d. Aguirre, homenageado com a denominação da avenida pelo trabalho religioso e cultural realizado na cidade.

Ele disse ter atendido a pedidos da comunidade católica, incomodada com a associação do nome do bispo à palavra 'marginal', que também é usada para designar criminosos e pessoas à margem da lei. De acordo com o vereador, uma lei de 1988 já proibia o uso do termo em placas indicativas da avenida. Seu projeto, aprovado pela Câmara, acrescentou um parágrafo para proibir o uso do termo também em comunicações oficiais, incluindo material publicitário e jornalístico produzido pelos órgãos da administração.

Na cidade, a iniciativa divide as opiniões. “O contribuinte paga às suas excelências (vereadores) para ficarem perdendo tempo com baboseiras. Deveriam empregá-lo com problemas mais sérios da cidade, como saúde e segurança”, disse o despachante Fernando Ribeiro. A estudante Priscila Navarro acha que a lei é útil. “Sou católica e nunca me incomodei com isso, mas já vi muita gente fazendo piadinha de mau gosto.”

Nascido em 1880, d. José Carlos Aguirre tornou-se o primeiro bispo de Sorocaba em 1924 e seu bispado se estendeu até sua morte, em 1973. Ele foi criador da Fundação D. Aguirre, mantenedora instituições de ensino como a atual Universidade de Sorocaba (Uniso). A avenida recebeu seu nome em 1974, quando foi inaugurada.

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