Lei seca derruba número de homicídios

Em julho de 2007, 85 sofreram morte violenta; em julho deste ano, 60

Fernanda Aranda e Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

16 de setembro de 2008 | 00h00

A lei seca, criada para reduzir acidentes de trânsito, influenciou na queda dos índices de homicídios na cidade de São Paulo. Pesquisa realizada pelo Departamento de Medicina-Legal da Universidade de São Paulo (USP) revela que o número de mortes por arma de fogo caiu de 85, registradas em julho de 2007, para 60 notificações em julho deste ano - mês seguinte ao início da vigência nova lei. Confira os limites do álcool, os detalhes e os números da Lei SecaO porcentual de dosagem alcoólica encontrado nas vítimas assassinadas também diminuiu, passando de 45% para 28%. ''A literatura internacional evidencia que a alcoolemia de vítimas de homicídio é semelhante à do agressor, pois geralmente estão na mesma ocasião e circunstância'', disse o biólogo e autor do estudo Gabriel Andreuccetti. ''Já é possível relacionar que um dos impactos da lei foi reduzir outros tipos de mortes violentas.''Os dados foram apresentados ontem em seminário sobre os desafios do álcool no trânsito. Foram apresentadas estatísticas dos efeitos da lei na ''epidemia de mortes no tráfego'', nas palavras do ministro da Saúde, José Gomes Temporão.Segundo a pesquisa, ainda na comparação dos meses de julho de 2007/2008, as mortes no trânsito caíram de 55 para 35. Entre as vítimas que estavam alcoolizadas houve queda de 45,45% para 28,57%.''Cada paciente que sobrevive, seja vítima do trânsito ou homicídio, tem custo mínimo de R$ 100 mil, apenas para internação em UTI e a reabilitação'', estima Samir Rasslan, titular do Departamento de Cirurgia do Hospital das Clínicas. ''Aos poucos, o Ministério da Saúde vai recebendo relatórios sobre a diminuição de outras condutas violentas, como espancamento de mulheres e crianças'', reforçou Temporão.Em pesquisa não publicada, Andreuccetti analisou 2.044 laudos que chegaram ao Instituto Médico-Legal de São Paulo, apenas de vítimas assassinadas em 2005. O estudo também mostrou a influência do álcool sobre homicídios. Os resultados apontaram que 43% delas estavam embriagadas. Das que morreram vítimas de golpes de faca, canivete, porrete a marca de alcoolizados é ainda maior: 60,8%.

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