Alex Silva/Estadão
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Lei seca faz consumo abusivo de álcool cair 45% entre 2007 e 2013

Em 2007, mil entrevistados pelo Vigitel (2%) afirmaram ter dirigido após beber doses elevadas de álcool; em 2013, foram 594 (1,1%)

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

04 Outubro 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Seis anos após a aplicação da lei seca no Brasil, um balanço feito pelo Ministério da Saúde, com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mostrou que o consumo exagerado de álcool foi reduzido em todo o País. O levantamento constatou que, entre os anos de 2007 e 2013, a ingestão abusiva de bebidas alcoólicas antes de dirigir - mínimo de quatro doses para mulheres e de cinco para homens, de uma única vez - teve queda de 45%.

A base são dados do sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) - programa de pesquisa por amostragem feita por telefone. Foram ouvidos, no período estudado, 54 mil adultos das 26 capitais e Distrito Federal. O trabalho foi coordenado pela pesquisadora e diretora do Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção da Saúde, Deborah Carvalho Malta, e tem como um dos autores o ministro da Saúde, Arthur Chioro. 

Em 2007, cerca de 1 mil entrevistados (2%) afirmaram ter dirigido após beber doses elevadas de álcool. Em 2013, esse número caiu para 594 (1,1%).

As maiores variações coincidem com os períodos em que cada uma das versões da lei passou a vigorar.

“O que achamos muito expressivo é que, exatamente nos anos após a lei, a gente conseguiu comprovar essa mudança estatisticamente significante”, argumentou Deborah.

Na primeira versão da lei seca (11.705/2008), admitia-se um limite de 0,1 mg/l de ar expelido do pulmão (bafômetro). Em 2012, o governo federal tornou a regra mais rigorosa, reduzindo o valor para 0,05 mg/l - menos do que um copo de cerveja - ou ainda qualquer traço de álcool detectado em exame de sangue. Também passaram a ser aceitas outras provas, como testes clínicos, vídeos, testemunhas e depoimento policial. Além da multa, o motorista perde a carteira de habilitação e pode cumprir de 6 meses a 3 anos de prisão, se o bafômetro acusar mais de 0,34 mg/l de ar expelido do pulmão.

A queda do consumo é impulsionada pelo comportamento dos homens, principalmente de 25 a 34 anos e com mais de 12 anos de estudo. De 4% que confirmavam a prática em 2007, apenas 2,1% repetiram o comportamento no ano passado.

Em 30 de dezembro de 2011, o ator Alexandre Caldas, de 26 anos, passou por uma situação que fez com que redobrasse a atenção antes de dirigir. Ele tinha passado a noite bebendo com amigos até a manhã do dia seguinte. À noite, quando dirigia rumo a uma festa, foi abordado em um bloqueio. “Passei a virada do ano na blitz”, contou.

Estável. Entre as mulheres, o quadro permaneceu estável em 0,3% das entrevistadas. A cidade de São Paulo é exceção no estudo - foi a única que registrou aumento entre as mulheres, de 0,1% para 0,4%. “O homem tem esse hábito com maior frequência que as mulheres”, defendeu a pesquisadora. 

O estudo ainda mostrou que, conforme aumentam os anos de estudo, mais frequente é o consumo abusivo. Enquanto o problema aparece em apenas 0,7% dos que têm escolaridade de até 8 anos, mais do dobra entre os que superam 12 anos de estudo (1,7%).

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