Lei seca não reduz mortes

Índices na capital e no Estado são insignificantes

Naiana Oscar, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

A lei seca não conseguiu reduzir o número de acidentes fatais no Estado de São Paulo. Em vigor há um ano, a medida que endureceu as punições para quem dirige embriagado fez esses índices caírem 4,9% no Estado e 3,2% na capital - porcentuais considerados "decepcionantes" por especialistas em segurança de trânsito.

O estudo da Secretaria de Segurança Pública, divulgado ontem, levou em conta o registro de homicídios culposos em acidentes de trânsito no ano anterior à lei seca e no primeiro ano de vigência da medida. O impacto foi maior nos acidentes menos graves, sem mortes, registrados como lesões corporais. Nesse caso, a queda foi de 15% na capital e de 22% no Estado. Mas mesmo esses índices podem ser menores. Segundo Túlio Khan, coordenador de análise e planejamento da SSP, a greve da Polícia Civil entre setembro e novembro do ano passado pode ter causado subnotificações de casos sem gravidade. "A conclusão é que em relação aos homicídios culposos o efeito da lei seca ainda é incerto."

Entre os acidentes não fatais, a queda começou a ficar mais evidente a partir de setembro de 2008. A média mensal de registros gerais foi de 266 casos a menos no Estado e de 64 na capital. "Foi uma decepção. Achávamos que o impacto seria maior", afirmou a médica Júlia Greve, pesquisadora da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego.

O secretário nacional de Políticas sobre Drogas, Paulo Roberto de Miranda Uchoa, admite que os dados não são excelentes, mas observa tendência de queda. A redução no número de acidentes ficou comprometida, segundo ele, pela quantidade reduzida de bafômetros nos primeiros meses da medida, o que prejudicou a fiscalização. Na capital, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) indica queda de 8,9% no número de acidentes fatais.

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