Lei Seca reduz número de atendimentos feito pelo Samu

Um mês antes da lei vigorar serviço de emergência atendeu 11.918 vezes e um mês depois foram 10.146

Felipe Recondo, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2008 | 19h15

A queda do número de acidentes com mortos e feridos em função da Lei Seca se reflete na diminuição dos atendimentos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Depois que a nova legislação entrou em vigor, as operações do Samu caíram 14,86% - de 11.918, nos 30 dias antes da lei, para 10.146 nos 30 dias posteriores.   Veja também: A lei seca, em números  Câmara aprova penas alternativas para crimes no trânsito Os efeitos do álcool e os limites da Lei Seca  Lei Seca tem aprovação de 72% em São Paulo  Entenda os principais pontos da Lei Seca   Todas as notícias sobre a Lei Seca    Apesar dessa melhora, o número de acidentes sem vítimas, de acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal, aumentou e inflou a estatística referente ao número total de acidentes. Entre junho e agosto deste ano, nos primeiros 60 dias da Lei Seca, os acidentes aumentaram 4,3% - de 20.446, em 2007, para 21.327 neste ano.   Na avaliação dos policiais, a razão principal para o crescimento é o excesso de velocidade nas estradas. Nos últimos 60 dias, os policiais rodoviários aplicaram 125 mil multas a motoristas que ultrapassaram o limite de velocidade.   Esses acidentes, assim como as batidas com mortos e feridos, também geram despesas ao governo e, obviamente, aos motoristas. Cada batida sem vítima gera custos de R$ 19 mil, conforme cálculo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os gastos incluem a remoção dos veículos, deslocamento de policiais e danos materiais aos automóveis envolvidos.   Quedas   As maiores reduções de atendimentos do Samu foram registradas pelo Ministério da Saúde em seis capitais: Campo Grande (MS), Belém (PA), Manaus (AM), Macapá (AP), Salvador (BA) e São Luís (MA). Em São Paulo, houve queda de 14,26% nessas operações. No Rio de Janeiro, a redução foi de 10,85%. Com a redução dos atendimentos, o Samu pode se dedicar a outros atendimentos. Em Brasília, por exemplo, 45% dos resgates são para atendimento a ocorrências de trauma, das quais 60% estão relacionadas a acidentes de trânsito.   "Com a queda dos atendimentos às vítimas do trânsito, o Samu pode atender de maneira mais adequada as pessoas que tenham problema em casa. As equipes dos hospitais de urgência e emergência podem se dedicar de maneira mais tranqüila, com mais qualidade aos seus pacientes. As pessoas que esperam por uma cirurgia eletiva têm o tempo de espera encurtado, ou seja, os benefícios são múltiplos", afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.  

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