Leilão de muamba de camelôs atrai Papais Noéis

Disfarçado de cidadão comum, de calça social e camiseta, Papai Noel levantou a mão discretamente num leilão promovido ontem na Administração Regional da Sé. Fez o sinal com um simples propósito: arrematar um lote de 83 bonecas, avaliado em R$ 125, para dá-las de presente a crianças carentes. "Divido os gastos com dez amigos meus. No fim do ano, a gente se veste de Papai Noel para doar os brinquedos", revela Amarildo José da Silva, comerciante que arrematou ainda outros dois lotes com brinquedos, gastando no total R$ 550. "Espero que os brinquedos estejam em bom estado, pois comprei tudo no escuro." Objetos apreendidos O evento atraiu cerca de 50 compradores. No total, foram leiloados mais de 50 mil objetos apreendidos de camelôs no ano passado e separados em 134 lotes, que até a semana passada ficaram à disposição de quem estivesse interessado em apreciá-los. Durante o leilão, entretanto, os compradores não tiveram autorização para verificar o estado de conservação dos objetos. "Os sacos estão fechados e eu não tenho a menor idéia se tem alguma coisa quebrada", anunciou o leiloeiro Sylvio Luiz Nunes Ferreira Filho, antes de dar início às vendas. "Lote 22, com 38 bolsas femininas de couro. Lance mínimo de R$ 63. Aquele senhor paga, alguém cobre o lance? Dou-lhe uma, dou-lhe duas... Lote vendido pelo lance mínimo", anunciou o leiloeiro em sua segunda venda do dia. Lote de guarda-chuvas Desta vez, o comprador foi Juraci Pereira, também comerciante, que ainda comprou um lote com 135 guarda-chuvas. O material será revendido, garantiu Pereira. "O leilão dá oportunidade para os comerciantes encontrarem produtos em grande quantidade com um preço bom", disse Juraci. "Quando começar a chover eu vou lucrar muito mais do que os R$ 327 que gastei nestas compras", disse. Wágner Navarro, outro comerciante, também pretende lucrar com a mercadoria que comprou durante o leilão, mas sem revendê-la. Ele adquiriu uma moenda de cana usada por R$ 400, e pretende recuperar o dinheiro vendendo caldo de cana, no bairro da Lapa. "A máquina está muito boa, valeu o lance. Normalmente, não se encontra uma moenda como essa por menos de R$ 1.000", comemorou. Mas o leilão também atraiu compradores menos ambiciosos, que adquiriram mercadorias para uso doméstico e particular. É o caso do advogado Batista Veronezi Neto, que arrematou uma mesa de bilhar e um jogo de panelas. "Vou levar as mercadorias para a minha chácara. Estava precisando e não encontraria nada melhor pelo preço que paguei", disse Batista. Dos 132 lotes, apenas 27 foram vendidos. Os objetos que não foram comercializados ainda não têm destinação. Podem ser encaminhados para um novo leilão, doados ou incinerados. Entre as mercadorias encostadas, estão adereços dos mais inusitados, como milhares de pares de meias, mais de mil pares de óculos Rayban e cerca de 500 capas para controle remoto. No saldo geral, o leilão arrecadou R$ 5.000. O leiloeiro fica com 5% desse total.

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