Leilão para trem-bala será feito no 2º semestre

Expresso vai ser operado pela iniciativa privada e ligará Rio, São Paulo e Campinas

Leonardo Goy, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

18 Fevereiro 2009 | 00h00

O secretário executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, disse ontem que o edital para o leilão da concessão do projeto do trem-bala ligando Rio, São Paulo e Campinas deve ser publicado em 15 de junho. "Com isso, faremos o leilão no início do segundo semestre." No dia 2 de abril o governo deve liberar os estudos sobre o traçado que deseja para o trem e, no mesmo dia, vai colocá-los em audiência pública. A expectativa é que os estudos sejam encaminhados ao Tribunal de Contas da União em 5 de maio. Passos disse que o traçado a ser definido pelo governo será um referencial - os proponentes poderão fazer adaptações, com limites. Entre esses limites está a obrigatoriedade de determinados terminais. Ele adiantou que, além das paradas nas duas capitais e em Campinas, o trem terá uma estação em São José dos Campos. O secretário disse que o governo não mudou os planos de que o trem-bala seja construído e operado por empresas privadas. Ele disse que a estatal já mencionada por ele e pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no ano passado, seria uma estrutura enxuta, encarregada apenas da absorção e da administração da transferência de tecnologia do trem. "Esse órgão teria de fazer a interlocução com as universidades, concessionárias de transporte rodoviário e empresas fornecedoras e detentoras de tecnologia." O objetivo, disse Passos, é fazer com que o Brasil, no futuro, desenvolva tecnologia própria para trens de alta velocidade. O secretário executivo ressaltou que o governo está sendo procurado por delegações e empresas de seis países que têm interesse em participar do projeto do trem-bala. Segundo ele, são grupos da Coreia do Sul, Japão, Alemanha, França, Itália e China. Passos reforçou o discurso de que a viabilização do trem-bala exigirá participação do setor público. "Certamente será necessária a contrapartida", disse ele, acrescentando que ainda não definiu como e em que proporção será essa participação pública. "Só saberemos isso depois que tivermos uma definição do traçado." Passos, porém, indicou que o governo poderá participar via financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas não descartou que o banco, por meio do BNDESPar, entre como sócio do futuro empreendedor privado. A tecnologia que vier a ser desenvolvida, disse, poderá ser aproveitada em futuros projetos de trens rápidos para passageiros, que ainda estão sendo analisados, como uma eventual conexão São Paulo-Belo Horizonte e São Paulo-Curitiba. Passos ressaltou ainda que a tecnologia que o Brasil utilizar com o projeto do trem-bala poderá até ser empregada em projetos de transporte urbano ou de cargas.

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