Leilões de carros serviriam para legalizar veículos roubados

O leilão de carros figura como o grande vilão da polícia. O objetivo dos interessados na compra é apenas o documento de propriedade do veículo. O delegado Edson Soares declarou que, na saída dos leilões, as carcaças acabam ficando na rua. "O que eles querem é o documento para legalizar carros roubados e cortados nos desmanches."O leilão é amparado pela Lei federal 8.722, de 27 de outubro de 1993, regulamentada por decreto de 9 de novembro de 1994. O policial afirmou que a legislação federal permite que os carros cheguem aos desmanches com notas fiscais sem qualquer forma de identificação. Os leiloeiros oficiais e particulares, segundo Soares, emitem notas fiscais sem a consignação dos números do chassi e do motor, facilitando o uso do documento para a comercialização de veículos idênticos na marca e na cor. "Na perda total, não dão ´baixa´ do veículo junto ao Detran, utilizam o chassi num carro roubado e usam o documento do automóvel que não existe mais", analisa.Num relatório encaminhado ao delegado Godofredo Bittencourt, diretor do Departamento de Investigações Sobre Crimes Patrimoniais (Depatri), Soares explicou que parte da Justiça só aceita as prisões dos receptadores em flagrante."Esse tipo de criminoso não fica mais do que três dias preso e volta para o mesmo lugar. Parte do Judiciário só aceita se pegarmos o cidadão adulterando os números, o que é dificil de acontecer."

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