Leitores dizem que paralisação do transporte foi política

A maioria dos leitores do portal estadao.com.br acredita que a paralisação dos metroviários e dos motoristas de ônibus ocorrida na segunda-feira, 23, na capital paulista, teve conotação política. Naquele dia, os sindicatos das duas categorias decidiram atrasar o início das operações para organizar um ato de protesto contra o Congresso Nacional. A manifestação teve como meta alertar sobre a possível queda de um veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Emenda 3, como ficou conhecida a proposta aprovada pelos parlamentares proibindo auditores fiscais de multar empresas prestadoras de serviços, mesmo se julgarem que contratos mantidos por elas estejam disfarçados de relações empregatícias. Para o governador José Serra (PSDB), o ato não foi justo nem democrático. "É uma greve iminentemente política, para servir a sindicatos e não para servir nem à população e nem aos trabalhadores." A paralisação fez com que o trânsito paulistano ficasse pior do que o normal. Às 7h30, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou 80 quilômetros de lentidão em um horário em que a média de congestionamento é de 46 quilômetros. Segundo o leitor Rubens Bachert, as categorias serviram "vergonhosamente" de massa de manobra. "Ficou claro que as greves ocorrem com apoio das chefias, quiçá dos donos do negócio." Já para o paulistano Eduardo, a paralisação foi política, pois ninguém pediu por mais direitos trabalhistas. "O único interesse é preservar leis arcaicas que amarram o desenvolvimento do País", disse. Para o leitor Marcos Agostini, foi um "tapa na cara" dos trabalhadores a afirmação de que a paralisação teve como intuito demonstrar a insatisfação de todos os trabalhadores em favor do veto da Emenda 3. "Quantos trabalhadores terão seu dia de trabalhado descontado por não conseguir chegar ao trabalho? E vem o representante dos metroviários ainda dizer o absurdo que a população ´entendeu´ a manifestação realizada, pois não houve nenhum incidente violento." Já a leitora Sheila Maceira acredita que o fato teve, sim, motivação política, mas que a raiz do problema é a Consolidação das Leis do Trabalho feita em 1940. "Não estaríamos debatendo sobre ela (Emenda 3) se outras formas de contratação e relacionamentos trabalhistas tivessem adquirido status de contratações legalmente regulamentadas e reconhecidas pela nossa legislação trabalhista." Porém alguns poucos leitores, como Gabriel MQ, afirmaram que a Emenda 3 é um "apagão de direitos" trabalhistas e que a paralisação não teve motivação política, mas democrática. "A emenda 3 abre espaço para transformar todo empregado em pessoa jurídica, que é um trabalhador forçado a se tornar ´pessoa de uma empresa só´ e a emitir nota fiscal, deixando de ter holerite, de receber direitos. (...)A emenda ainda proíbe os fiscais do governo de denunciarem os maus patrões, que querem passar a mão nos nossos direitos e conquistas", completou o leitor.

Agencia Estado,

25 Abril 2007 | 17h34

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