Lembo elogia ação conjunta com governo federal contra PCC

O governador de São Paulo Cláudio Lembo (PFL) enalteceu o trabalho do Gabinete de Gestão Integrada, grupo criado durante a crise de segurança pública no começo deste ano no Estado, que une o governo estadual e federal no combate ao crime organizado.Lembo deveu ao trabalho do gabinete a descoberta de centenas de contas em nome de pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo levantamento feito pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras do Ministério da Fazenda, a organização movimentou mais de 36 milhões de reais em um ano. Segundo reportagem do Estado desta quarta-feira, Lembo afirmou que quando assumiu o cargo, em abril, encontrou uma situação de "de desorganização e de desativação total da disciplina e da hierarquia" na segurança pública. "Hoje temos hierarquia e disciplina, e buscamos harmonia."O cruzamento de dados de 412 contas bancárias de cerca de 110 pessoas foi feito pelo Conselho de Controle de Ativos Financeiros (Coaf) e pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), vinculado ao Ministério da Justiça. "Cada traficante tem uma conta. Acabamos com isso graças à integração entre os governos. Falo sem nenhuma ponta de vaidade, mas com muita satisfação", afirmou o governador.MovimentaçãoA investigação do Ministério Público Estadual em São José dos Campos revela que os integrantes do PCC movimentam suas contas bancárias de dentro das prisões. Fazem transações usando os serviços de auto-atendimento bancário e telefonam para laranjas e parentes ordenando a realização das operações que desejam. Os promotores de São José dos Campos conduzem uma investigação envolvendo 29 integrantes da facção, presos ou foragidos. Entre os investigados está um integrante do alto escalão da organização criminosa.De acordo com reportagem do Estado desta quarta-feira, investigações da Polícia Civil apontaram a ligação de integrantes da célula do PCC da zona norte, presos na semana passada, com cinco times de várzea da região. Eles ajudavam a financiar os times e tinham cargos na diretoria dos clubes.A relação entre membros do PCC e os clubes apareceu na investigação que os relacionou à escola de samba Império de Casa Verde e está baseada em mais de 500 horas de escutas autorizadas pela Justiça e em documentos apreendidos. "Ajudavam a financiar os times e até bancavam jogadores", disse o delegado Fábio do Amaral Alcântara, do Setor de Investigações Gerais (SIG) da zona norte.A polícia vai abrir inquérito para aprofundar a investigação sobre a ligação de integrantes do PCC com os times e a escola de samba. Também pretende ouvir donos de concessionárias de carros da região que, segundo policiais, estão sendo usadas para lavar dinheiro do crime. O Estado não conseguiu contactar representantes dos clubes.A ligação de criminosos com o futebol de várzea já havia sido detectada em estudo do sociólogo Daniel Veloso Hirata, da Universidade de São Paulo. Por quatro anos, ele estudou dois times da zona sul e da zona leste e viu que a relação entre as equipes e o crime é comum. "Em um time, os jogadores recebiam R$ 100 por jogo, bancado com o dinheiro do crime", diz Hirata.

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