Lembo: Integrantes do PCC podem ser de qualquer partido

O governador de São Paulo, Claudio Lembo, disse nesta quarta-feira, 23, que não acredita na ligação entre os integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Partido dos Trabalhadores (PT). Lembo disse que podem existir detentos ligados a todos os partidos do País. "Há 144 mil presos em São Paulo e, entre eles, há uns que querem fazer política partidária e outros não", disse.Lembo disse ainda que sabia das gravações telefônicas em que dois membros da facção ordenam ataques a agentes penitenciários e políticos, com exceção dos ligados ao PT, em maio deste ano. Lembo disse, porém, que considerou o material irrelevante e achou melhor que as escutas fossem esquecidas. Não foi a primeira vez que Lembo negou o vínculo entre PCC e PT. Em 9 de agosto, o governador disse não acreditar que o PT possa estar por trás dos ataques que o PCC vem realizando em todo o Estado. "Não posso acreditar que o PT está por trás desses ataques", afirmou, contrariando a declaração dada por seu secretário de Segurança Pública, Saulo de Castro, de que o PT poderia estar vinculado aos ataques desta facção criminosa. InquéritoO Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), vai instaurar entre quinta-feira, 24, e sexta um inquérito policial para investigar a participação do preso Anderson de Jesus Parro, o Moringa, na primeira onda de ataques às forças de segurança do Estado deflagrados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), no dia 12 de maio.A investigação foi solicitada pelo delegado-geral Marco Antônio Desgualdo, na semana passada, após receber um dossiê assinado pelo secretário da Administração Penitenciária, Antônio Ferreira Pinto, com transcrições de escutas telefônicas de membros da facção. Nas conversas, os interlocutores - que se identificam como Moringa e Magrelo - afirmam que a prioridade é atacar agentes penitenciários e políticos, com exceção dos ligados ao PT.Delegados do Deic ressaltaram que o objetivo do inquérito é apurar apenas a autoria dos atentados e que as investigações não atingirão nenhum partido político.O conteúdo da conversa é o mesmo divulgado com exclusividade pelo JT nos dias 14 e 19 de maio. Na noite do dia 12 de maio, início da primeira onda de ataques, a Polícia Civil interceptou uma ordem que dizia: "Matem o pessoal do PSDB. Os irmãos que não cumprirem a missão também ficam sujeitos à morte."No dia seguinte, o vereador do PSDB Paulo Sérgio Batista, de Mairinque, foi assassinado com seis tiros. A Polícia Civil da cidade suspeita que o parlamentar foi vítima da facção.

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