Lembo preferiu negociar com PCC a aceitar ajuda, diz Tarso

O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, acusou o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), de preferir negociar com o PCC do que aceitar a ajuda oferecida pelo governo federal. O ministro criticou o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), fez ironias sobre a administração tucana de São Paulo e afirmou que Alckmin estava querendo transferir a responsabilidade de seus erros para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva."O governo federal ofereceu toda a ajuda possível, toda a ajuda necessária e o governo paulista, o governo do senhor Alckmin, preferiu negociar com os criminosos que aceitar a ajuda do governo", disse Tarso, ao sair de um encontro com o vice-presidente da Câmara, José Thomaz Nonô. "Nós temos que tirar isso da pauta eleitoral e nos comportarmos como homens públicos decentes para enfrentar o crime e a violência no País."Alckmin criticou o governo federal, afirmando que o Ministério da Justiça diminuiu os repasses de recursos do Fundo Penitenciário Nacional e do Fundo Nacional de Segurança Pública para os Estados e que a melhor ajuda seria liberar mais recursos. Mas, para Tarso, Alckmin estava tentando transformar a crise de segurança de São Paulo em um questão eleitoral e não quer assumir sua responsabilidade no caos que tomou conta do Estado nos últimos dias. "O governador Alckmin está fazendo uma transferência de responsabilidade. Ele deveria assumir as responsabilidades do que está acontecendo em São Paulo", afirmou. "Nós temos que, nesse momento, despolitizar essa questão ou não vamos tratá-la com seriedade. Parece que ele está querendo exatamente fazer isso."O ministro disse que a crise em São Paulo não começou agora, mas nas rebeliões da Febem - quando Alckmin ainda estava no cargo, que deixou para ser candidato à Presidência - e que o governo estadual não agiu. E ainda afirmou que Alckmin reduziu o investimento do Estado em segurança nos últimos cinco anos. "São Paulo é um dos Estados mais ricos do Brasil. Proporcionalmente tem financeiramente mais condições do que qualquer outro Estado para ter uma política de segurança pública adequada", disse. "Quando a crise acontece, primeira tendência é transformar em uma questão eleitoral e transferir responsabilidade para o governo federal. É surpreendente, é lamentável que isso esteja acontecendo. Nós não podemos agir dessa forma. Nós devemos é nos unir para combater o crime e a violência."Tarso afirmou que a responsabilidade do governo federal com a segurança é apenas "supletiva", com a Polícia Federal, a mobilização da Força Nacional de Segurança e o Exército. "E isso só pode ocorrer quando os governadores requisitam e o governador de São Paulo rejeitou", disse. "As pessoas têm que assumir, em momentos graves, a responsabilidade política pelo que fizeram enquanto estiveram no governo."

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