Lembo volta a dizer que não quer Exército em São Paulo

Em resposta às declarações do ministro da justiça, Márcio Thomaz Bastos, de que o Exército pode enviar 10 mil homens para São Paulo, assim que seja assinado o ofício, o governador Claudio Lembo disse nesta terça-feira, 8, que o Exército não deverá vir a São Paulo para reforçar a segurança. "Não quero o Exército nas muralhas dos meus presídios e por isso não assino o ofício", disse o governador, contradizendo o secretário de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu, que disse aceitar soldados do Exército para cumprir tarefas específicas, como a segurança de presídios destruídos em rebeliões e o reforço de efetivo nas Operações Saturação por Tropas Especiais (Ostes).Segundo Lembo, o Exército causaria despesas demais ao Estado. "Quem sugeriu isso não disse qual é o custo para São Paulo. Já estamos pagando pelos helicópteros. Penso no contribuinte", disse o governador, em um evento no Hospital e Maternidade Interlagos, na zona sul, em que falou sobre a queda do índice de gravidez na adolescência no Estado. Sem citar diretamente o ministro Thomaz Bastos, Lembo disse que "personagens em Brasília aproveitam o momento de crise para fazer bravatas".Na segunda-feira, 7, em meio à retomada dos ataques atribuídos ao PCC, a discussão sobre o envio de tropas federais para o Estado também voltou à tona. O secretário de segurança pública Saulo de Castro Abreu pediu publicamente o engajamento de tropas da Infantaria para ocupar áreas dominadas pelo tráfico de drogas e na guarda de presídios. Mas o secretário não quer apenas os 2 mil homens que lhe foram oferecidos pelo Ministério da Justiça. Saulo pediu que o governo federal lhe mande 4.500 soldados. "Eu quero o Exército para esse papel. Se aceitar, pode vir que será bem-vindo." A resposta do Ministério da Justiça a Saulo foi rápida. "O Exército tem 10 mil homens em 48 horas. Já disse isso para o governador várias vezes. São homens treinados, não são recrutas", disse o ministro Márcio Thomaz Bastos. Segundo ele, o que o Exército não pode é entrar no Estado sem solicitação do governador. Esta deve ser feita por escrito e não por meio da imprensa.Na segunda-feira, em meio às discussões sobre o envio das tropas a São Paulo devido à retomada dos ataques atribuídos à facção Primeiro Comando da Capital (PCC), Lembo criticou ações do governo federal ao dizer que as ofertas de tropas federais, mutirão judicial e vagas no presídio federal de segurança máxima no Paraná não têm resultados plausíveis para São Paulo. O governador disse que o Ministério da Justiça deveria cuidar mais das fronteiras brasileiras para evitar a entrada de armas que abastecem o tráfico de drogas e as facções criminosas. Leia as principais opiniões de Lembo sobre o PCC e a crise na segurança.Quanto aos R$ 100 milhões liberados do Fundo Nacional Penitenciário para Secretaria Estadual da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, Lembo declarou que o dinheiro está disponível no orçamento, mas não financeiramente, ou seja, na prática. O governador classificou a ajuda como simbólica e não suficiente, calculando que o montante necessário seria R$ 700 milhões. Afirmou, ainda, não acreditar que os R$ 100 milhões chegarão ainda este ano, pois estariam presos na burocracia do governo federal.IndultoLembo afirmou que é favorável ao indulto do dia dos pais. "Acho que não devemos ter medo ou mostrar espírito de vingança. Devemos continuar dialogando".Entre os motivos para a retomada dos ataques atribuídos à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado de São Paulo, na madrugada de segunda-feira, 7, há a suspeita de ela seja uma retaliação às ações do Ministério Público Estadual (MPE), que interrogou o assaltante Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola na sexta-feira passada, reivindicou à Justiça o seqüestro de dinheiro da facção, e se manifestou contrário à saída temporária dos detentos para a comemoração do dia dos pais.Ampliada às 13h50

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