Lembo volta a negar acordo com o PCC para fim de ataques

O governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), voltou a afirmar nesta sexta-feira, 9, em Ribeirão Preto, que não negociou com representantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), em 14 de maio, para cessar os ataques de criminosos às forças públicas. "Não negociamos com bandido", disse ele, logo na chegada ao Hospital das Clínicas (HC), mesmo sob vaias, apitos, empurra-empurra e pedidos incessantes de manifestantes do HC e da Universidade de São Paulo (USP), que pediam reajustes salariais e outras reivindicações. Ele só admitiu que existiu uma reunião naquela data, mas não acordo. "Isso é uma agressão a São Paulo, me sinto injuriado com essa pergunta", respondeu Lembo. Ele refutou, assim, as informações que Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, de 36 anos, em depoimento dado à CPI do Tráfico de Armas, na quinta-feira, 8, na Penitenciária de Presidente Bernardes, onde está no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), teria confirmado o acordo com o governo. "Pelo que li, ele não disse isso", rebateu o governador. Lembo admitiu que houve um diálogo entre um coronel da Polícia Militar, Aílton Brandão, um representante do governo e a advogada Iracema Vasciavelo, no presídio. "O contato eu nunca neguei", comentou ele. "Mas que tipo de negociação é essa, em que ele (Marcola) está preso em RDD?", questionou ele. "Somos firmes na preservação da ordem e da disciplina social", disse Lembo, acrescentando que não negocia com criminosos. Lembo mostrou-se tranqüilo, mesmo sob protestos de funcionários públicos que também o criticavam "por ter negociado com bandidos". "Não admito essa hipótese, é deselegante comigo, desrespeitoso, negocio com trabalhador, pessoas honradas, não com bandido", avisou ele. O governador disse que também não tinha informações de que telefones celulares teriam sido cedidos para os contatos entre Marcola e outro integrante do PCC. "Vamos analisar o que aconteceu, mas não conheci isso na época, não no histórico que me ofereceram", comentou Lembo. "Mas estou convicto mesmo que, se cederam os celulares, naquele momento era positivo, não seria negociação, mas apenas a preservação da vida, de todos nós e da sociedade paulista, é tudo aceitável", emendou ele, informando que a prioridade era manter a ordem pública e a disciplina social. "Agimos nos limites do estado de direito, isso é fundamental." Sobre as reivindicações dos funcionários do HC e da USP, Lembo disse que irá analisá-las, pois existe uma queda de arrecadação de cerca de R$ 510 milhões no primeiro quadrimestre deste ano, inclusive sem o repasse de verbas federais. "O problema é orçamentário e eu não podia ser irresponsável e dizer que vou atender", explicou Lembo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.