Lembrança de Joãosinho Trinta emociona público no 1º dia de desfiles no Rio de Janeiro

Beija-Flor exibiu carro que homenageava carnavalesco que morreu em dezembro de 2011 e terminou a noite como forte concorrente ao título

Fábio Grellet / Roberta Pennafort / Clarissa Thomé / Fábio Grellet, Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2012 | 08h08

Com sua homenagem a São Luís, capital do Maranhão, a Beija-Flor fez uma exibição empolgante na Marquês de Sapucaí e saiu da avenida como uma das concorrentes ao título. Roseana Sarney, governadora do Estado, esteve no sambódromo carioca: o governo pagou cerca de R$ 2 milhões à escola pela reverência. Os aplausos do público, porém, tinham outra direção: iam para o carnavalesco Joãosinho Trinta, que fez história em 17 anos na escola e morreu em dezembro de 2011.

Uma lembrança que mistura a história de Joãosinho à do próprio Carnaval emocionou a avenida. Em 1989, sob o comando de Joãosinho no enredo "Ratos e Urubus, larguem minha fantasia", a escola foi obrigada pela Justiça a cobrir uma réplica do Cristo Redentor, numa alegoria que ficou famosa pela faixa "mesmo proibido, rogai por nós". Ontem, a última das sete alegorias da Beija-Flor reproduzia o monumento coberto. No início do desfile a escola finalmente descobriu a imagem e, em vez da imagem do Cristo, foi João que apareceu de braços abertos, para delírio da plateia. Ao redor da alegoria havia dezenas de componentes caracterizados como mendigos, outra marca do enredo de vinte e três anos atrás.

A penúltima alegoria da agremiação, que destacava artistas nascidos na capital maranhense, como Gonçalves Dias e Ferreira Gullar, teve problemas para entrar na passarela do samba e provocou a abertura de espaços entre as alas, o que pode fazer a Beija-Flor perder pontos nos quesitos harmonia e evolução e tirar a escola da disputa do título.

Cantando Cândido Portinari, a Mocidade Independente surpreendeu com carros imponentes e bem-acabados: o carnavalesco, Alexandre Louzada, havia dito que enfrentara dificuldades financeiras para o Carnaval deste ano.

Com carros e alegorias coloridas, que faziam referência às obras mais conhecidas do pintor, a escola de Padre Miguel se destacou pelas reproduções da tela "O Lavrador de Café" e "Os Retirantes".

O belo desfile foi atrapalhado por dificuldades que fizeram a exibição estourar o tempo. O atraso é punido com perda de pontos.

Depois do incêndio que, em 2011,destruiu boa parte do material da escola, a Portela fez um desfile que impressionou neste ano, em que celebrava a Bahia e a cantora Clara Nunes.

Ícones baianos estavam representados na avenida: a Timbalada veio no carro que tinha a cantora Daniela Mercury como destaque. A bateria trouxe instrumentos como os atabaques e xequerês e representava o bloco de afoxé Filhos de Gandhy.

O carro abre-alas trazia Paulinho da Viola e Marisa Monte como destaques e, na ala da velha-guarda, Vanessa da Matta desfilou caracterizada de Clara Nunes.

Imperatriz. Problemas em carros alegóricos fizeram a Imperatriz Leopoldinense atravessar a avenida em ritmo lento, o que pode comprometer a apresentação sobre Jorge Amado preparado pelo carnavalesco Max Lopes.

Max já enfrentava o desafio de se apresentar depois da Portela, que cantou a Bahia. Em muitos momentos, os temas se repetiram: a lavagem da Igreja do Senhor do Bonfim, orixás, baianas, o Pelourinho. "A diferença é que a minha Bahia tem Jorge Amado", irritou-se o carnavalesco, ainda na concentração.

Último desfile. Uma comissão de frente hipnotizante e um samba-enredo animado foram as principais armas usadas pela Vila Isabel para a difícil tarefa de encerrar a primeira noite de desfiles do Rio depois da apresentação impactante da Beija-Flor.

A escola de Nilópolis explorou melhor os temas africanos no enredo sobre o Maranhão, ofuscando o navio negreiro que a Vila apresentou como um dos carros no enredo sobre Angola. O ponto alto da Vila foi a exaltação dos componentes a Martinho da Vila.

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