Lentidão atormenta quem procura direito líquido e certo

Muitos são os motivos dessa dívida histórica da toga - a lentidão que atormenta o usuário que a ela recorre na busca de um direito que presume líquido e certo. Mas onde é que está o gargalo da Justiça? Com a palavra, os senhores magistrados. Eles nominam desajustes, sobre os quais não admitem responsabilidade, para tentar explicar o fracasso desse modelo que submete o contribuinte a gincana cruel, sem fim. Ora apontam falta de quadros, ora resmungam para a grande massa de feitos que ingressam todo santo dia na primeira instância e de recursos que sufocam tribunais. Sim, os juízes têm razão. Mas em muitas cortes nos Estados adota-se carga horária que é sonho de qualquer um que quer levar a coisa não muito a sério - o expediente preenche apenas meio período. Ritos consagrados ao longo dos tempos em que o Judiciário encastelou-se, preocupado com a conquista de benefícios e prerrogativas, como os dois meses de férias a que a categoria tem direito. Afora iniciativas isoladas, um mutirão aqui, um juiz cumpridor de metas ali, a Justiça está mergulhada no sistema carcomido que ela alimentou. A conta também pode ir para o grande vilão Estado, esse viciado na cultura do recurso pelo recurso, apesar de súmulas e quetais em contrário.

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