Lentidão ''azeda'' todo o dia dos motoristas

Em ônibus, passageiros decidiram descer e seguir trajeto a pé

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

O motorista precisou de muita paciência para enfrentar o trânsito na cidade durante todo o dia de ontem. O vendedor Mauro Marreira Alonso, de 24 anos, levou uma hora e meia de sua casa, no Butantã, zona oeste, até o Brooklin, na zona sul. Geralmente ele gasta menos de meia hora no trajeto. "A Marginal do Pinheiros estava parada da Ponte Cidade Universitária até a Bandeirantes", conta. Ele chegou ao trabalho às 10h30.

Na hora do almoço, os reflexos dos congestionamentos da manhã ainda continuavam. Às 13 horas, considerado um horário tranquilo, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou 133 quilômetros de lentidão. O motorista de ônibus Ciro Arimatéia, de 47 anos, ficou mais de 20 minutos parado no semáforo da Avenida Brigadeiro Faria Lima com a Rua Sumidouro, em Pinheiros.

"Muitos passageiros desceram do ônibus e preferiram ir a pé", disse. Normalmente, ele faz a linha Ceasa-Sacomã em duas horas. Ontem, levou mais de quatro horas.

Próximo dali, no cruzamento da Faria Lima com a Rua Cardeal Arcoverde, o veículo do engenheiro Vítor Mateus, de 29 anos, quebrou: "Eu passei por um ponto de alagamento e caí num buraco. Acho que a seguradora nem cobre o conserto." Ele ligou para o socorro da seguradora às 12h30, mas até as 14 horas o guincho não havia chegado. O buraco foi causado por um cano que estourou com a força da chuva.

PREJUÍZOS

O motorista de caminhão Luciano José Lima, de 28 anos, também amargou prejuízos. Outro caminhão bateu na lateral de seu veículo na Avenida dos Bandeirantes, por volta das 10 horas. Ele trabalha para uma empresa de bebidas e realiza cerca de 15 entregas por dia em bares e restaurantes. "Entro às 7 horas e saio às 14 horas, depois de terminar todas as entregas. Do jeito que o trânsito está, hoje vou até as 19 horas", disse.

O urologista Archimedes Nardozza Júnior demorou duas horas para se deslocar entre o Itaim-Bibi, na zona sul, e o Bairro do Limão, zona norte. "A pior parte foi a da Marginal do Tietê e havia alguns semáforos quebrados na região do Palmeiras (na zona oeste). Acho que o trânsito de São Paulo não tem jeito."

O temporal de ontem, junto com a pane da Telefônica, fizeram a esteticista Débora Conrado Mucitelli perder oito clientes. Ela não conseguiu chegar a sua clínica de estética corporal e facial, que fica na Rua Simão Alvares, em Pinheiros - Débora mora em Interlagos. "Não consegui contato com as oito clientes que estavam com hora marcada. Não levo as fichas delas para casa", disse.

Lara Pezzolo, que mora em Santo André, não pôde levar os filhos gêmeos, de 6 anos, para a escola por causa do dilúvio. "Por volta das 11 horas escureceu tanto que parecia noite. Começou a chover forte. Imaginei que seria um grande transtorno na hora da saída, por causa de enchente", disse.

CEAGESP

A forte chuva provocou alagamentos na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), na zona oeste de São Paulo. Os portões foram fechados às 16 horas, impedindo a entrada de produtos no local. A área das barracas de pescados, no portão 4, foi a mais prejudicada. A água chegou a mais de um metro de altura, segundo os funcionários do local.

Muitos comerciantes tiveram prejuízos, como a produtora de verduras Márcia Rodrigues, de 38 anos. "Os clientes não puderam entrar e não conseguimos vender nossa mercadoria." Márcia afirma, porém, que não teve seus produtos avariados pela enchente.

Do outro lado da Ceagesp, cerca de 15 caminhões carregados de frutas ficaram com as rodas submersas. O motorista Vilson Joaquim, de 35 anos, esperava a água baixar para descarregar as uvas que trouxe de Petrolina, Pernambuco, numa viagem que durou quatro dias.

"A refrigeração não deixa as frutas estragarem, mas consome combustível. Como eu ganho por comissão, ficar parado significa prejuízo", reclamou. Ele mostra que não há um único cesto de lixo no local. "As pessoas jogam o lixo no chão e quando alaga, não tem para onde a água escoar."

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