Leonardo é tido como ''ótima pessoa'' entre vizinhos

Ao longo dos cento e poucos metros da acanhada Rua Veloso Guerra, na Bela Vista, onde Leonardo Badalamenti morava havia exatos dez anos, vizinhos passaram a noite de ontem discutindo nas calçadas e nas varandas o "absurdo da prisão" e contando histórias de como o italiano de 49 anos era "uma ótima pessoa". Alguns sussurravam boatos, outros lembravam de sua amizade e muitos pareciam verdadeiramente chocados com o caso. "Conheço ele desde que se mudou para cá... E é a pessoa mais calma e pacata que conheço", diz Icleia Alves Cury, que mora a duas casas da residência de Leonardo e que quase chorou quando soube da prisão. "Quando minha mãe era doente, ele vinha aqui ajudá-la e colocá-la na cadeira de rodas. Até pediu o azulejo que sobrou de uma reforma que fiz para usar na casa dele. Ele é superhumilde, não ostentava nada. O máximo que ele saía era para ir à academia."Outro hobby de Leonardo era fumar cigarro de palha na varanda de sua casa, um sobrado de tijolos aparentes no número 60 da Veloso Guerra. "Quando ele se separou da mulher, há cerca de cinco anos, foi morar na casa da frente, no número 59, que virou dele por ?usucapião?", conta o advogado Daniel Simoncello, vizinho que o ajudou nos papéis do divórcio. "O proprietário original morreu e ele se mudou para lá e começou a pagar as contas. Ele era superbondoso, quieto, humilde, jogava xadrez comigo. Aí aparece essa história de que ele é mafioso, a Polícia Federal veio aqui e colocou o revólver na boca dele. Na boca dele! Isso me parece muito estranho."Leonardo - que para todos os vizinhos da Rua Veloso Guerra continua se chamando Carlos Massetti, nome falso que usou por 15 anos - nunca mencionou ser italiano, apesar do fortíssimo sotaque. Sua ex-mulher, Soraia, chegou em casa chorando por volta das 20 horas de ontem e se limitou a dizer que "a história da prisão é um absurdo". "Meu Deus, a casa dele tinha dois quartos só, ele tinha um carro velho, não tinha roupas de marcas, como ele pode ser mafioso?", disse. "Prenderam o homem errado, ele é uma ótima pessoa, exemplar. É um absurdo essa violência."

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