Leptospirose assusta população; há pelo menos 29 casos suspeitos

Chefe diz que morador chama ambulância por stress ou receio da doença

Rodrigo Brancatelli, ILHOTA, O Estadao de S.Paulo

03 de dezembro de 2008 | 00h00

Médicos e enfermeiros dos prontos-socorros da região do Vale do Itajaí e funcionários da Vigilância Epidemiológica passaram a noite de ontem analisando as fichas médicas que começam a se amontoar em cima de suas mesas. As suspeitas de leptospirose, doença transmitida principalmente por ratos, se multiplicaram da noite para o dia. Em Ilhota, por exemplo, a conta de apenas um caso anteontem foi para 9 no início da tarde de ontem. E a Secretaria de Saúde do Estado não sabe quais dados divulgar, com medo de assustar a população.O Estado apurou que há, no mínimo, 29 pessoas nas cidades de Blumenau, Luiz Alves, Gaspar, Pomerode, Itajaí, Brusque e Ilhota sendo tratadas com suspeita de leptospirose, com a possível administração do antibiótico amoxicilina. A Secretaria de Saúde de Santa Catarina, que até agora só confirmou 10 suspeitas, se recusou a passar novos números durante todo o dia. O diagnóstico completo se dá por exame de sangue, mas isso só pode ser feito sete dias após o início dos sintomas.Ontem, em Ilhota, o chefe do socorro, Carlos José Machado Dias, cansou de dirigir à ambulância dos bombeiros para remover moradores que reclamavam de febre e dores. "O medo de leptospirose é geral, mesmo quando a pessoa está apenas cansada de tanto estresse, por causa dos últimos dias, acha que está doente", diz, ao levar o carro do resgate para socorrer um garoto que há três dias está com febre. Leandro Hausmann, de 6 anos, reclama de dores de cabeça, não tem fome e precisou ser amparado para entrar na ambulância. "Dói um pouco", foram as únicas palavras que disse no trajeto até o pronto-socorro de Ihota.SAUDADEApesar do temor generalizado gerar suspeitas falsas, a história de Leandro pode se repetir nos próximos dias. A família do garoto morava no Alto do Baú, área quase varrida do mapa pelos deslizamentos. Desalojados, o pai, Uniberto Hausmann, e a mãe, Fernanda, tiveram de procurar um abrigo - na maioria deles, as crianças não têm o que fazer, não há brinquedos nem espaço físico suficiente, e muitas acabam brincando em áreas com água contaminada. "A gente estava tão nervoso por ter perdido a casa que não se preocupou com isso", diz Fernanda, que agora também está preocupada com outro filho, de 10 anos. "A gente achou que era só saudade de casa, mas agora a febre não passa e não sabemos o que fazer."

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