Leptospirose contamina prefeito de Blumenau

Município já registra 51 casos; número de mortos subiu para 131

Magali Moser, AGÊNCIA RBS, BLUMENAU, O Estadao de S.Paulo

19 de dezembro de 2008 | 00h00

Passadas a enxurrada e a enchente, os reflexos dos dias de caos enfrentados por Blumenau ainda permanecem. Desde o dia 22 de novembro até ontem, 51 casos de leptospirose foram confirmados no município. Entre eles, está o prefeito João Paulo Kleinübing (DEM). A Secretaria de Saúde registrou 350 casos suspeitos. Há possibilidade de novas confirmações nos próximos dias. A Defesa Civil de Santa Catarina confirmou, na tarde de ontem, mais três óbitos. Agora, o número de vítimas das enchentes sobe para 131 pessoas."Assim que comecei a sentir os sintomas, como dor de cabeça e febre alta, procurei ajuda médica e a doença acabou constatada. Foi um susto, mas já estou plenamente restabelecido", conta o prefeito. Kleinübing não sabe dizer exatamente onde nem quando contraiu a doença, mas lembra que, durante o desastre, esteve nas Ruas Araranguá, Pedro Krauss Sênior e Coripós - vias entre as mais atingidas pela tragédia. Na Araranguá, o prefeito e o motorista tiveram que deixar o carro às pressas para não serem levados pela água. "Saímos correndo quando vimos a enxurrada. O carro foi arrastado por metros", conta Kleinübing.A Vigilância Epidemiológica de Blumenau informa que a tendência é que aumentem o número de casos na cidade. "Mas mesmo se isso acontecer, consideramos significativas as ações de prevenção, orientação e controle da doença desenvolvidos até aqui, já que de todos os casos suspeitos, tivemos só um caso grave", garante a gerente da Vigilância Epidemiológica, Raquel Cristina Martelli.O paciente que apresentou situação grave obteve melhora no quadro clínico nos últimos dias. Todas as pessoas contaminadas foram tratadas, segundo a Vigilância Epidemiológica. Em caso de suspeita da doença e histórico de contato com água ou lama da enchente, o paciente já era encaminhado para tratamento precoce com antibióticos, mesmo que a confirmação laboratorial ocorresse alguns dias depois. A maior parte das confirmações dos casos de leptospirose atingiram homens e ocorreram em quase todos os bairros do município.A vigilância orienta a quem apresentar sintomas da doença que procure uma unidade de saúde. As pessoas devem permanecer em alerta até 40 dias depois do início da enchente, dia 22 de novembro, considerando o período de incubação da doença. Esse período vai até o início do próximo ano.O contato com a poeira deixada pela lama e barro não são mais motivo de preocupação para a saúde pública. Segundo o secretário interino de Saúde, Marcelo Schaefer, o risco de conjuntivite, infecção respiratória e meningite existiam na primeira semana após a enchente, quando as bactérias estavam ativas. "Depois disso, as bactérias morreram com os raios ultravioleta. Agora, com o ressecamento do sol, não há mais risco bacteriano e viral. Pode haver desconforto respiratório, irritação ocular e eventualmente levar a quadros alérgicos", explica o secretário. BALANÇOO Corpo de Bombeiros de Ilhota encontrou os três corpos, que elevaram a 131 pessoas o número de vítimas fatais, no Alto Baú e os encaminhou para o IML de Blumenau. No Estado, 27.236 pessoas continuam desalojadas, 5.737 desabrigadas e 22 desaparecidas, segundo a Delegacia-Geral de Polícia Civil.

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