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Lessa diz que fica com Beira-Mar em solidariedade ao povo

O governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), disse que decidiu aceitar o pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para receber em Alagoaso traficante Fernandinho Beira-Mar em solidariedade ao povo brasileiro na luta contra ocrime organizado.Segundo Lessa, que fez essas declarações no início da noite desta quinta-feira, a proposta lhe foi feita por Lula na última segunda-feira, mas ele ainda tinha esperança de que outro Estado pudesse receber o narcotraficante.A confirmação de que Beira-Mar iria para Maceió só ocorreu nesta quinta, quando o narcotraficante deixou a Penitenciária de Presidente Prudente (SP) e fez escala em Brasília, comdestino a Maceió, onde chegou às 17h50 e foi levado direto para a sede da PolíciaFederal, no bairro de Jaraguá.Lessa afirmou que Beira-Mar ficará sob a guarda da Polícia Federal e que, se ele tivesse que ficar sob a custódia do Estado, convocaria o Conselho Estadual de Segurança e as autoridades da Segurança Pública para decidir se aceitaria ou não a permanência do narcotraficante em Alagoas.O governador disse ainda que Beira-Mar deve permanecer em Alagoas por 30 a 40 dias, em cela especial, na sede da PF. Lessa disse que não gostaria de ter recebido esse presente, mas, como Alagoas é um Estado que ficou estigmatizado pela violência, decidiu dar essa contribuição ao País para melhorar a imagem do Estado.O superintendente da Polícia Federal, José Paulo Rubim Rodrigues, disse que a PF está preparada para manter o traficante sem contato com outros presos e vigiado 24 horas por dia. Ele rebateu as críticas do Sindicato dos Policiais Federais, que condenou a transferência de Beira-Mar para Maceió, dizendo que essa decisão dos sindicalistas é uma questão política e, na qualidade de policial federal, não cabe discutir, mas cumprir as ordens superiores.O governador Ronaldo Lessa também reagiu a uma nota divulgada à tarde pela bancada de Alagoas no Senado, repudiando a transferência do Fernandinho Beira-mar para Alagoas. A nota, assinada pelos senadores Renan Calheiros (PMDB), Teotônio VilelaFilho (PSDB) e Heloísa Helena (PT), responsabiliza o governador por qualquerrecrudescimento do crime organizado em Alagoas, em função da permanência do traficante no Estado.Lessa disse que compreendia a preocupação dos senadores, mas que, na condição de governador, não poderia deixar de atender a um pedido dopresidente da República para manter temporariamente o traficante em Alagoas.Lessa disse também que Alagoas está dando essa contribuição ao País e será contemplada pelo Programa Nacional de Segurança Pública, para reequipar o aparelho de segurança do Estado. Ele negou que Alagoas estaria recebendo R$ 50 milhões em troca da permanência do traficante no Estado."Gostaria muito que esse valor viesse paraAlagoas, mas não ficou acertado nada nesse sentido", observou Lessa, acrescentandoque qualquer ajuda do governo federal será bem-vinda. O governador disse também que Alagoas estava recebendo Fernandinho Beira-Marcom "espírito de solidariedade", atendendo a um apelo de paz feito pelo presidente Lula,e que o Estado foi escolhido porque dá sustentação política ao governo federal e estáfora do foco de violência do crime organizado.Segundo o governador, a reação àtransferência do traficante é normal, porque se trata de um bandido de altapericulosidade, mas acredita que a população vai entender o gesto dele de ajudar ogoverno federal e espera que não seja feito terrorismo para assustar a sociedade. O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz (PL), disse que a primeirareação dos deputados foi ser contra a transferência, mas que, depois das explicaçõesdo governador, os parlamentares reconheceram a importância do fato.O líder do governo na Assembléia, Sérgio Toledo (PSB), disse que o governador tomou umadecisão acertada, porque cabe ao governante assumir determinadas missões, e que apreocupação agora é reforçar a segurança para a população não sair prejudicada. Veja o especial:

Agencia Estado,

27 de março de 2003 | 20h12

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