Levantamento citava 38 Ciretrans e 416 auto-escolas

Federais e MPE focaram em Ferraz; promotores da Carta Branca pretendem oferecer denúncia até quarta

Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

09 de junho de 2008 | 00h00

O esquema de venda e fraude de carteiras nacionais de habilitação (CNHs) relatado à cúpula da Polícia Civil é ainda maior do que o descoberto na Operação Carta Branca. O levantamento elaborado em fevereiro pela Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), a pedido do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), coloca 38 Circunscrições Regionais de Trânsito (Ciretrans) e 416 auto-escolas e Centros de Formação de Condutores (CFCs) sob suspeita.No dia 3, quando a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco) do Ministério Público Estadual (MPE) desencadearam a operação contra a máfia das carteiras, os alvos eram apenas o Ciretran de Ferraz de Vasconcelos e 17 auto-escolas e CFCs de São Paulo e da região metropolitana. Com o andamento das investigações, a Delegacia-Geral da Polícia Civil decidiu concentrar as apurações em 27 Ciretrans. Além disso, determinou fiscalizações extraordinárias nos 344 Ciretrans do Estado, a fim de detectar eventuais irregularidades na emissão das CNHs. Até agora, a ofensiva contra o esquema criminoso levou à prisão de 20 pessoas, entre delegados, um investigador da Polícia Civil, despachantes, médicos, psicólogos e donos de auto-escolas e CFCs do Estado.Ontem, os promotores interrogaram os donos das auto-escolas e dos CFCs investigados, além de despachantes e do empresário Nasser Abdel Hadi Ibrahim, apontado pelo MPE como o responsável pela lavagem do dinheiro obtido pela máfia das carteiras. Todos se negaram a dar declarações. Para hoje estão marcados os depoimentos do delegado Juarez Pereira Campos - que dirigiu a Ciretran de Ferraz - e do investigador Aparecido da Silva Santos, o Cido, que também trabalhou na Ciretran da cidade. Os promotores do Gaerco pretendem oferecer até quarta-feira a denúncia (acusação formal à Justiça) contra os envolvidos na organização criminosa. Por lei, a prisão temporária só pode ser prorrogada uma vez e por um prazo máximo de cinco dias, o que já foi solicitado na semana passada. Para tentar mantê-los presos, o MPE tem de oferecer a denúncia e pedir a prisão preventiva dos envolvidos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.