Levorin é visto como severo e disciplinado

Religioso, crê na inocência do casal

O Estadao de S.Paulo

18 de maio de 2008 | 00h00

O criminalista Marco Polo Levorin, de 38 anos, é apegado às convicções, mas não hesita em mudar de rumo por uma causa maior. Foi assim quando, aos 5, trocou as brincadeiras nas ruas da Lapa pela cabeceira do irmão mais velho, vítima de uma crise reumática que durou o ano todo. Sua mãe, Neide, vê no episódio o primeiro sinal da determinação do caçula. Nas três escolas onde leciona, FMU e São Marcos, na capital, e Universidade Municipal de São Caetano do Sul (Imes), é tido como rigoroso e carregado pela razão nas decisões. A definição do diretor da faculdade de Direito do Imes, Vander Ferreira de Andrade, é direta. "É um professor sisudo, pouco brincalhão, rígido, que não admite interrupções em seu discurso." Em dia de prova, vistoria carteiras e chega a vasculhar livros dos alunos em busca de colas. Tanta severidade desperta a descontraída revanche dos pupilos, atentos a deslizes e manias, como o hábito de concluir toda frase com a expressão "não é?". O que mais os diverte, porém, é a prática, durante um diálogo, de trocar várias vezes o nome. As brincadeiras renderam uma defesa no Orkut. "Como tenho muitos alunos nas universidades em que leciono, não consigo guardar o nome de todos e, às vezes, até troco. O pior é que, em algumas oportunidades, os alunos acabam sendo apelidados pelos nomes que errei." Quem conheceu Levorin no Colégio Mackenzie, onde estudou da 4ª série do fundamental ao 3º ano do ensino médio, e o vê hoje, inflamado, defendendo clientes na tevê, estranha. Afinal, ele nunca foi um jovem encantado pelo Direito, que cursou na FMU. A mãe admite que prestou a faculdade por prestar. Era jovem, não sabia o que queria. Preferia dedicar os fins de semana às ondas de Maresias. Mesmo nessa fase, se antevia o adulto introspectivo e determinado. A rebeldia passava longe e, em lugar de noitadas, ele se dedicava aos livros. Com o tempo, o surfe ficou para trás, e os domingos foram ocupados pelos cultos presbiterianos. A influência religiosa da mãe demorou para dar resultado, mas fez do jovem um fiel. Só levou duas garotas para dentro da casa, e uma delas, Patrícia, com a bênção da mãe, virou sua mulher. "Ele disse que estava em dúvida entre duas gatas, e uma era evangélica. Apostei nela", brinca Neide. O casal se conheceu na sala de aula: professor e estudante. Sobre ele, Patrícia comentava que tinha um professor rigoroso. Quando ele pediu, trocaram telefones.A primeira saída veio após meses de telefonemas, e o convite não podia ser mais sóbrio: um café. Depois foram a cinemas e à igreja, até que, após cinco meses, foram morar juntos. Hoje, trabalham no escritório de advocacia próprio. O filho Paulo, de 4 anos, tem todos os cuidados, mas sob a mesma disciplina.Levorin sabe que o caso é a sua grande chance de se destacar. Aceitou o desafio de defender o casal Nardoni porque acredita em sua inocência. À mulher, prometeu abandonar a defesa se tiver certeza de que são culpados.

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