DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Lia teve de se cuidar melhor

Cuidar do corpo para evitar complicações futuras e se conformar com um plano de saúde mais simples foram as saídas encontradas pela aposentada Lia Maria de Pádua Krauss, de 85 anos, para se manter entre o grupo de beneficiários da saúde suplementar.

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

26 de julho de 2015 | 03h00

Com uma aposentadoria de menos de dois salários mínimos, a idosa migrou, há alguns anos, para uma operadora voltada para pessoas mais velhas, que oferece preços mais baixos que os outros planos, mas, em compensação, tem rede referenciada limitada e menos conforto. “Pago R$ 350 por mês no plano, o que é um valor baixo para minha idade, mas também optei por não pagar o serviço com quarto individual ou outras comodidades. Pretendo usar o hospital o mínimo possível, para que vou ficar pagando mais caro? Nem poderia. E eles também trabalham mais com hospitais próprios, o que acaba deixando o preço mais em conta”, afirma ela.

Para a aposentada, mesmo um plano mais modesto é melhor do que depender exclusivamente da rede pública de saúde. “Pelo que vejo, o SUS é terrível, minha irmã, por exemplo, deixou de receber remédios de repente. Espero não ficar sem o plano”, ressalta.

Com a intenção de usar o hospital e outros serviços somente quando necessário, Lia passou a cuidar ainda melhor da saúde nos últimos anos. “Eu sempre gostei de fazer exercício, mas tive de parar quando sofri uma queda e coloquei uma prótese no quadril, em 2013. Engordei bastante, isso mexeu comigo, mas decidi que não queria ficar assim”, conta.

No ano passado, após estar recuperada da operação, a idosa usou o aplicativo Dieta e Saúde para iniciar um programa de reeducação alimentar. “Eu cheguei aos 90 quilos naquela época e hoje estou com 76. Voltei aos exercícios, faço hidroginástica e caminhada.”

Além dos exercícios, Lia começou a ter mais cuidado com a alimentação. “Antes eu saía com a minha neta, comia doce, pizza. Ou então cozinhava um bolo em casa. Agora, eu não deixo entrar doce aqui, fritura é uma vez por mês, no máximo. Prefiro grãos, salada, verdura, frutas, coisas feitas no forno”, enumera a aposentada.

O cuidado não só melhora a qualidade de vida de Lia Maria e diminui a necessidade de utilização do plano, mas também reduz os custos com remédios. “Não tenho pressão alta nem diabete. Só que gasto R$ 170 com um remédio para um problema urinário que tenho desde jovem. Se eu tivesse outras doenças crônicas, esse custo com medicamento seria ainda maior”, diz ela.

Para Lia, seria interessante se os planos passassem a oferecer benefícios extras aos pacientes que, como ela, se cuidam e diminuem os riscos de complicações futuras. “Seria uma ideia simpática, mas acho complicado para o convênio saber quem está preocupado com a saúde ou não, seria difícil fazer esse monitoramento”, diz ela.

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