Libanês foi morto com munição nacional

Uma nova pista está sendo investigada pela polícia no caso do assassinato do empresário libanês Mikhael Youssef Nassar: a procedência da munição calibre 7,65 milímetros usada no crime. Ela é de fabricação nacional,feita pela CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos).Os estojos da munição foram apreendidos pelos peritos noposto de gasolina da Avenida Juscelino Kubitschek, no Itaim-Bibi, na zona sul de São Paulo. O assassino de Nassar e de sua mulher,Marie Noelli Mimassi Nassar, usou uma pistola com silenciadorpara matá-los após perfurar com um tiro - e não com pregos, comose imaginava - um dos pneus da Pajero em que o casal estava.Ocrime ocorreu na última quinta-feira. Os corpos de Nassar e da mulherdevem ser trasladados nesta quinta-feira para o Líbano.Os estojos e informações colhidas com testemunhas foramentregues nesta quarta pelo 15º Distrito Policial para o Departamentode Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que investigará ocrime.RodoanelNassar estava sendo investigado pelo Ministério Público Estadual e pela Procuradoria da República, por causa de uma indenização milionária, paga por parte de um terreno de 328,6 mil metros quadrados em Barueri, na Grande São Paulo.A desapropriação foi feita para a construção doRodoanel. A Polícia Civil já teve contato com parte dos dadosdessa apuração.Em março de 1998, Nassar comprou a gleba. Em abril de2000, a empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa)desapropriou parte da área (189,7 mil metros quadrados), pagandoR$ 5,27 milhões. Nassar, que já havia recebido R$ 4,13 milhõesdesse total, pretendia ganhar ainda mais com o terreno - R$ 17,3milhões, segundo valor atribuído por perito judicial.Ospromotores e procuradores de Justiça analisam os contratos ecertidões dos terrenos desapropriados porque suspeitam que elesforam superavaliados em benefício dos donos das glebas.O DHPP apura, ainda, a possibilidade de os doisassassinatos estarem ligadas ao tráfico internacional de armasou a questões políticas do Oriente Médio. Nassar era sobrinho dogeneral Anoine La´hd, chefe do Exército do Sul do Líbano.Era ainda conselheiro e amigo de Elie Hobeika, que foium dos chefes das Forças Libanesas, milícia cristã que lutou naguerra civil daquele país (1975-1990).Hobeika era a principaltestemunha contra o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon,no processo sobre o massacre de palestinos cometidos pormilicianos cristãos nos campos de Sabra e Chatila, em 1982.Nassar poderia ser uma testemunha incômoda.

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