Liberação da Av. do Estado anima comércio em SP

O que um motel, uma loja de autopeças e um posto de gasolina têm em comum? Se eles estiverem localizados na Avenida do Estado a resposta é fácil: uma queda de faturamento superior a 60% e a esperança de que esse quadro se reverta com a liberação da avenida, marcada para o próximo domingo. O trecho que será aberto para o tráfego vai da Praça Alberto Lion até o Viaduto Grande São Paulo, no acesso à Avenida Juntas Provisórias (sentido Centro-bairro). "Foi uma fase muito difícil. Houve uma queda considerável do nosso movimento. Estávamos praticamente impossibilitados de trabalhar", contou o gerente do motel Côncavo e Convexo, Walter Kozzo, 44 anos. Para sobreviver ao longo período de obras, o motel instalou uma cancela na esquina da Av. do Estado com a Av. D. Pedro I, no Ipiranga. "Era o único jeito do cliente ter acesso ao motel. O problema é que muitas pessoas ficavam constrangidas de ter que passar por um segurança." Além do motel, outros estabelecimentos sentiram no bolso os efeitos da interdição. "Nosso movimento caiu em 65%. Só sobrevivemos porque atendemos aos pedidos por telefone", afirmou o representante comercial da Disbrasa Sérgio Pinheiro Correa. Mas a situação mais dramática é a de um posto de gasolina da região. "Perdemos 80% da clientela. Tivemos que cortar vários produtos da nossa loja de conveniência. Essa liberação vai acontecer na hora certa", disse o supervisor administrativo Jonatas Passeto, 19 anos. A interdição da Av. do Estado começou no final do governo de Celso Pitta e vem se arrastando até agora. A liberação irá acontecer, principalmente, porque a Prefeitura desistiu de terminar as obras do Paulistão, antigo Fura-Fila. A Secretaria de Transportes preferiu investir seus recursos nos corredores de ônibus, o Passa-Rápido. Com isso, o Paulistão deve terminar apenas na próxima administração. Até o momento, corrigindo-se valores da gestão anterior e da atual, foram investidos na obra R$ 325,8 milhões. O Paulistão terá dois trechos: do Parque D. Pedro até o Sacomã (quase pronto), e do Sacomã à Vila Prudente (ainda no papel). Segundo a SPTrans, a decisão de antecipar a liberação da Avenida foi tomada para desafogar o trânsito nas vias secundárias. Durante todo o período de interdição, avenidas como a D. Pedro I transformaram-se em rota de fuga para quem estava impossibilitado de passar pela Av. do Estado. "Quem não conhece a Cidade acaba se perdendo. A liberação vai ser um alívio para muitos motoristas", disse o caminhoneiro Osvaldo Medeiros, 43 anos. "Hoje, eu tenho que dar uma volta enorme na Av. D. Pedro e ficar procurando os desvios. Perco um tempão", reclamou o aposentado José Vidoi, 78 anos. Durante toda essa semana, a Subprefeitura do Ipiranga vai limpar o trecho interditado da avenida. Além disso, o local foi pavimentado e a calçada reformada. Também foi construída uma proteção lateral para os pilares do Paulistão e para evitar que carros, em casos de acidentes, caiam no Tamanduateí. O trecho que vai da Praça Lion até o Parque D. Pedro II será liberado no final de junho.

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