Libertados dizem sentir raiva

"Sinto raiva, porque a polícia não investigou o caso da maneira como deveria, antes de colocar a gente atrás das grades. Eles queriam achar um culpado de qualquer jeito." Essas palavras, ditas por Wagner Conceição da Silva, resumem o drama dos três inocentes libertados anteontem, após mais de dois anos.Outro sentimento comum é o de assombro com a nova condição de homens livres. "Me senti perdido, quando saí. Meu bairro é outro. Se desenvolveu, cresceu", afirma Wagner. "É como se eu fosse um bebê aprendendo a dar os primeiros passos", diz Willian Cesar de Brito Silva. "Um dia naquele lugar (prisão) é uma eternidade", completa. Segundo Renato Correia de Brito, na prisão ele aprendeu a "ter paciência". Paciência que será necessária para reconstruir sua vida. Sobre sua filha com Vanessa, morta pelo Maníaco de Guarulhos, Renato diz: "Nem imagino como ela está agora. Quando fui preso, ela tinha pouco mais de 1 ano." Ele diz que conversará com a mãe de Vanessa a respeito da guarda.Sobre a acusação de que teria oferecido R$ 20 mil para não ser preso, Renato diz que "os PMs contaram que eu teria dito que pediria o dinheiro aos meus pais quando chegasse à delegacia. Só que sou órfão. Meus pais morreram em 1994". Sobre as agressões dos policiais, Willian diz que "só eu sei o que passei nas horas em que fiquei com eles". "A gente fica indignado de imaginar que eles podem fazer isso. É para ficar desiludido com o sistema em que vivemos." Sobre a prisão, Wagner descreve condições desumanas: "Nenhum animal comeria o que gente comeu lá."

O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2008 | 00h00

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