Líder compara seu afilhado a Jefferson

Homenageado pelo Ministério Público, Campos Machado blinda o autor das denúncias na Casa

O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2011 | 03h04

Irritado com a insistência de deputados da base e da oposição para que fossem lidas publicamente as explicações de Roque Barbiere (PTB), que considerou um prejulgamento a respeito do deputado, o líder petebista, Campos Machado, comparou o pivô das acusações de venda de emendas na Assembleia ao presidente nacional de seu partido e deputado cassado, Roberto Jefferson.

"Já vivi esse problema com Roberto Jefferson. Já vivi. Roberto Jefferson foi cassado não por nenhuma acusação de prática de crime. Ele foi cassado por falta de decoro", afirmou Campos. "Que alguém me aponte qual foi o delito pelo qual Roberto Jefferson foi cassado na Câmara. Estou perguntando por que ele foi cassado, e não por que esta sendo processado no STF. Que também não é por isso, é por caixa dois."

Ele saiu em defesa do ex-ministro e também deputado cassado José Dirceu (PT). "Não tenho procuração pra defender o meu amigo e ex-ministro José Dirceu. Qual é a acusação efetiva contra Dirceu? As paixões julgam antes. A opinião pública só tem um caminho a seguir, como se fosse um grande comboio."

Colar. Campos divide suas preocupações entre os movimentos de rivais na Casa e o Ministério Público, que abriu inquérito civil para apurar as denúncias de Barbiere. Até aqui, decorridas duas semanas desde a instauração do procedimento na Promotoria do Patrimônio Público, o petebista esquivou-se sem dificuldades de prestar depoimento.

Articulador nos bastidores do poder ao qual pertence, Campos carrega em seu currículo o Colar do Mérito, homenagem que o Ministério Público Estadual a poucos outorga. Em junho de 2007, ele recebeu da cúpula do MP a mais alta honraria concedida pela instituição.

A festa para Campos, na sede do MP paulista, foi bastante concorrida - lá estavam três ex-governadores, Maria Marin, Claudio Lembo e Geraldo Alckmin. "Nosso saudoso governador Mário Covas dizia que Campos Machado é sinônimo de lealdade. O Ministério Público de São Paulo faz coro a essa sentença", declarou o então procurador-geral, Rodrigo César Rebello Pinho.

Aclamado por uma multidão de promotores e procuradores de Justiça como o "mais novo colega", "advogado de escol", "prócer do PTB", "parlamentar estadual mais votado do País", Campos emocionou-se: "Essa homenagem toca minha alma, aprofunda meu coração e mexe com minha história."

"Campos Machado sempre esteve envolvido em projetos ligados à área da Justiça", emendou Luiz Marrey, ex-procurador-geral e ex-chefe da Casa Civil . Na plateia, desapercebido, Barbiere, testemunha-chave do escândalo que assombra a maior Assembleia do País. / FAUSTO MACEDO e FERNANDO GALLO

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