Lider comunitário da Rocinha nega ligação com bando que sequestrou hotel

Feijão, que é investigado por associação para o tráfico e lavagem de dinheiro, foi chamado pelos criminosos para negociar rendição no Hotel Intercontinental, no último sábado

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2010 | 19h05

RIO - O líder comunitário da favela da Rocinha Vanderlan Barros de Oliveira, o Feijão, devolveu à polícia, na noite de quinta-feira, um cordão de ouro e dois relógios falsificados usados pelos traficantes que invadiram o Hotel Intercontinental, em São Conrado, na manhã de sábado. Chamado pelos criminosos para negociar a rendição do bando aos policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Feijão, que é investigado por associação para o tráfico e lavagem de dinheiro, também negou a ligação com a quadrilha.

 

Acompanhado do presidente da União Pró-Melhoramentos da Rocinha, Leonardo Rodrigues Lima, Feijão também disse que a moto amarela Honda CB600F, que os dois conduziam no final do tiroteio, não é a mesma utilizada por traficantes. As imagens foram flagradas por moradores, que filmaram o tiroteio e colocaram no site de vídeos YouTube. Agentes da 15ª Delegacia de Polícia da Gávea aguardam a perícia do Instituto de Criminalística Carlos Éboli para saber se a moto é a mesma. A motocicleta por traficantes foi apreendida e o dono, identificado como Leonardo dos Santos Silva, esteve na delegacia. Ele negou envolvimento com o tráfico e justificou que apenas a emprestou para um morador da Rocinha identificado como Vini.

 

A 15ª DP da Gávea vai requisitar a Rádio Band News a fita com o suposto depoimento de um dos reféns. Na gravação, ele revelou que policiais do 23º Batalhão de Polícia Militar do Leblon cobrariam R$ 60 mil para deixar o bonde (comboio de homens armados em carros e motos) cruzar o bairro de São Conrado, nos finais de semana. No dia do confronto, de acordo com o relato, traficantes e policiais não teriam chegado a um acordo sobre a propina. Com as imagens dos prédios e do circuito de câmeras do Hotel Intercontinental, os investigadores também pretendem identificar e indiciar por associação para o tráfico e porte ilegal de armas cerca de 20 traficantes da Rocinha.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.