Líder de controladores nega que categoria seja ´sabotadora´

Welington Rodrigues acrescentou que o clima de trabalho no Cindacta-1 é doentio

Agencia Estado

27 de junho de 2007 | 14h48

Falando por meio de um vídeo para uma platéia de mais de cem pessoas, a grande maioria de sargentos da Aeronáutica, o presidente da Associação Brasileira dos Controladores do Tráfego Aéreo (ABCTA), Welington Rodrigues, um dos 14 afastados do monitoramento de aviões civis, por liderar o movimento do dia 30 de março, rechaçou acusações que a categoria é formada por "sabotadores" ou "maçãs podres".Welington afirmou, ainda, que o clima de trabalho no Cindacta-1 "é doentio" e que o governo "está jogando fora todos procedimentos de segurança", advertindo que isso poderá ter como conseqüência um grave acidente, a exemplo do que houve na França, em 1973, exatamente quando os controladores da defesa aérea assumiram o tráfego aéreo comercial.O pronunciamento de Welington marcou a abertura do encontro de controladores de vôo, que seria internacional, mas foi transformado em nacional, pela impossibilidade de comparecimento dos colegas argentinos e uruguaios.Em seu pronunciamento, Welington, que foi transferido para a Defesa Aérea junto com outros 13 sargentos, por ser uma das "lideranças negativas", como diz o comando da Aeronáutica, disse que a forma como eles foram retirados do trabalho "agravou o quadro emocional" no Cindacta-1, em Brasília, e que todos estão fortemente abalados."Estamos vivendo meses de inferno absoluto", desabafou Welington sob aplausos, de pé, dos colegas. E, referindo-se, novamente ao acidente de 73 na França, apelou: "Imploramos a Deus que isso nunca aconteça. Mas temos cada vez mais medo que isso ocorra, porque a única certeza (da categoria) é a incerteza e as ameaças de expulsão". Segundo ele as denúncias sobre os problemas no setor e as operações especiais de monitoramento do tráfego aéreo foram em prol da segurança dos vôos.Welington assegurou ainda que os controladores nunca tiveram como bandeira a questão salarial, e sim a melhoria na qualidade do trabalho, já que considera os problemas do setor "estruturais". Lamentou pelo fato de os controladores estarem sendo enquadrados em crime de dolo e lembrou que todo o tráfego aéreo está nas mãos de "homens que não são valorizados".Queixou-se também da imprensa, que alegou ter "massacrado" a categoria, acentuando que "não têm direito de se defender" e que "todas as vezes que foram à imprensa, foram punidos". E acrescentou: "somos caluniados e não temos o direito de nos defender". Lembrou ainda que todos "estão sob forte pressão" e chamou os 14 afastados de "exilados".O presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Tráfego Aéreo do Rio de Janeiro, Jorge Botelho, também defendeu a necessidade de os controladores se defenderem. "Não podemos nos calar sabendo que há irregularidades e problemas que colocam em risco a segurança dos vôos", declarou ele.Botelho lembrou que os controladores estão sendo acusados de "sabotadores, criminosos e chantagistas" e não têm direito de resposta para se defender, porque os militares são presos e os civis perseguidos. "É preciso acabar com o terrorismo em cima dos controladores", afirmou.AçãoApesar de saberem da possibilidade de ser punidos por estar participando do encontro, inúmeros sargentos controladores compareceram á reunião, mas deixaram para as mulheres falarem ou a deputada Luciana Genro (PSOL-RS), que tem funcionado como porta-voz da categoria.A deputada anunciou que seu partido vai entrar com uma ação no Ministério Público Militar contestando as prisões e punições decretadas pelo comandante da Aeronáutica.Ela insistiu ainda na denúncia de que os sargentos da defesa aérea que estão trabalhando no controle do tráfego de aviões comerciais não são habilitados para a função por não terem feito curso de 120 horas para este tipo de operação. Disse ainda que, na CPI do Apagão, vai exigir que a Aeronáutica comprove a habilitação desse pessoal.

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