Líder de facção arrendou 4 favelas e comanda 150 homens

Segundo a Polícia Federal, Roupinol faturaria R$ 3 milhões por mês com o tráfico de drogas

Marcelo Auler, O Estadao de S.Paulo

15 de novembro de 2008 | 00h00

Rogério Rios Mosqueira - conhecido como Roupinol, em referência ao psicotrópico Rohypnol - transformou prejuízo em lucro. Em 2007, teve sua refinaria de cocaína no norte do Estado "estourada" pela PF e fugiu para o Rio. Em pouco mais de um ano, virou líder da facção Amigo dos Amigos (ADA), arrendou um complexo de quatro favelas contando com pelo menos 150 homens que usam 14 fuzis, 3 submetralhadoras, 12 pistolas e 4 espingardas calibre 12, e domina, segundo a PF, duas refinarias de cocaína: uma na Rocinha, outra no São Carlos. Depois da Operação Fênix, que atingiu seu adversário, Luís Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, do Comando Vermelho (CV), Roupinol é o traficante que mais preocupa as polícias cariocas. Tem no encalço uma equipe de federais, policiais da 6ª DP (Complexo do São Carlos) e outras delegacias especializadas. Na sexta-feira, quase cem quilos de cocaína pura foram apreendidos na área que domina. Quando estava em Macaé, segundo escutas telefônicas, sua arrecadação era de cerca de R$ 1 milhão mensais. Com os ganhos no Rio, a PF calcula que ele triplicou o faturamento. Conquistou o Complexo do São Carlos - conjunto de quatro favelas com cerca de 16 mil pessoas -, arrendando-o ao traficante Anderson Rosa Mendonça, o Coelho. Investigação da equipe do delegado Rodolfo Waldeck, da 6ª DP, identificou 62 das 150 pessoas ligadas à quadrilha - 14 estão presas. Há mandados de prisão para todos, incluindo aqueles conhecidos só por apelidos. No São Carlos, Roupinol instalou sua primeira refinaria. Coelho o convenceu de que é mais seguro tê-las nos morros. Em Conceição de Macabu, ele usou duas glebas no Assentamento Capelinha do Incra. No fim de 2007, estendeu seus negócios para a Rocinha. Montou sua segunda refinaria, em substituição à que a polícia destruiu e era do traficante Saulo de Sá Silva. Ali, desde 2004 o tráfico é ligado à ADA. Prestes a fazer 36 anos, Roupinol tornou-se conhecido há três anos, após cumprir pena por tráfico em presídio da capital. Saiu em 2005, em liberdade condicional pleiteada pela advogada Gabriela Pessoa Bastos, de 27 anos. Ela, de advogada virou amante, substituindo Michele de Castro Machado, mãe do filho do traficante, mantida por ele em Macaé. Gabriela envolveu-se nos negócios do namorado e responde a processo por associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Está em prisão domiciliar. Segundo a PF, o casal lavou dinheiro adquirindo imóveis como uma fazenda em Juiz de Fora (MG) que está no nome da empresa da família de Gabriela, que tem um jornal em Itaperuna. Gabriela também ajudou a fazer documentos falsos para Roupinol, em nome de Paulo Rogério de Paula Reis. Tal como Fernandinho Beira-Mar, Roupinol, filho de um ex-secretário municipal de Macaé, não bebe, não cheira nem fuma. Mas é viciado em refinar cocaína: "Ele fica pernoitado fazendo pó", explicou ao Estado um membro da quadrilha que está preso. Na cadeia, se aprimorou. Ligou-se à ADA, descobriu técnicas de refino e contatos nas fronteiras que lhe trazem a pasta-base sem que se arrisque com o transporte. Com isso, seu ganho triplica. Paga, em média, R$ 7 mil por um quilo de pasta, que lhe rende pelo menos três quilos de cocaína pura. Se fosse comprá-la pronta, pagaria R$ 5,5 mil pelo quilo. Por conta da Operação Morpheu, que prendeu 29 de seus aliados e destruiu sua refinaria, não volta a Macaé. Também aprendeu a evitar celulares. Quando precisa, usa o de um morador, escolhido aleatoriamente, e nunca faz duas ligações do mesmo aparelho. Outra prática é mandar seus homens destruírem os chips para não haver vestígios das ligações. Roupinol tem uma justificada fama de violento: um jovem vapor foi morto por perder uma carga. O prejuízo pago com uma vida foi de R$ 9. Outro soldado levou um tiro nas mãos por fazer um vale de R$ 50 na boca, proibido por Roupinol. Sua quadrilha tem dois gerentes abaixo de Foca, o homem de confiança. Larraia prepara trouxas de cocaína; Da Terrinha ou Lau, de maconha. Abaixo há quatro subgerentes que dão plantão de 12 horas, folgando 36. Cada um conta com três subchefes, responsáveis pelos soldados, vapores e olheiros, que também trabalham na escala de 12 por 36 horas.

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