Líder do CV é principal suspeito pelo desaparecimento de repórter

O titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), delegado Luiz Alberto Andrade, afirmou hoje que o traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, líder do Comando Vermelho mais procurado pela polícia, é o principal suspeito pelo desaparecimento do repórter da Rede Globo Tim Lopes, de 51 anos.Lopes foi visto pela última vez na noite de domingo, quando subiu sozinho a Favela Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte da cidade, com uma microcâmera escondida para apurar reportagem sobre bailes funk promovidos por traficantes do morro."Só pode ter sido o Elias Maluco. É com ele mesmo, não tem outro", disse o delegado. Hoje, agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e policiais do Batalhão de Choque fizeram incursões na favela. A polícia investiga mais de uma versão para o desaparecimento do repórter.Segundo Andrade, informantes disseram que o gerente da boca de fumo do morro teria desconfiado de Lopes e mandado revistá-lo. Ao encontrar a microcâmera escondida no botão da camisa, diz o delegado, o gerente ligou para Elias Maluco, que controla o tráfico na favela e teria ordenado a morte do repórter. Já o inspetor Daniel Gomes, da 22.ª DP (Vila da Penha) disse que Lopes teria sido confundido com um policial. Há outra versão ainda não confirmada segundo a qual o repórter teria sido delatado aos traficantes por policiais militares."O Elias Maluco é um dos traficantes mais violentos e nosso principal alvo", afirmou Andrade. O delegado da 22.ª DP, Sérgio Falante, encaminhou hoje para exame de DNA fragmentos de um corpo carbonizado que foram encontrados na segunda-feira no alto do morro. O resultado oficial deverá sair em uma semana. "Depois da primeira filmagem, os traficantes ficaram de antena ligada", disse Andrade, referindo-se à série de reportagens "Feira das Drogas", produzida por Lopes e exibida em agosto no "Jornal Nacional", que recebeu o Prêmio Esso de Telejornalismo.Hoje, a Rede Globo fez um comunicado, pedindo que a população colabore com informações sobre o repórter pelos telefones da Polícia Civil (21-3399-1089) ou do Disque Denúncia (21-2253-1177) O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) divulgaram nota oficial hoje em que protestam contra o "regime de terror que transformou em reféns todos os moradores da cidade, comprometendo o direito de ir e vir". "Os indícios de que Tim tenha sido morto por traficantes descontentes com seu trabalho investigativo apontam para um crime duplamente inaceitável: contra a vida de um cidadão cumpridor de seus deveres e contra o sagrado direito à liberdade de imprensa", diz o texto. Na nota, o sindicato e a ABI pedem que o governo demonstre a "real intenção e coragem de enfrentar os Estados paralelos".

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