Líder do PCC ameaça rebelião e consegue negociar com Secretaria

O presidiário Marcos Camacho, o Marcola, um dos principais líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), entrou em acordo com a cúpula da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). Sua transferência estava prevista para a tarde desta sexta, mas o líder ameaçou detonar rebeliões em 19 presídios do Estado. Depois de uma reunião que durou o dia todo na Penitenciária 1 de Presidente Bernardes, os diretores e agentes receberam a notícia de que a cúpula da SAP tinha decidido liberar Marcola da punição.O criminoso terá este tratamento pelo menos até a noite de domingo, quando encerra o período de visitas na penitenciária. Marcola poderá receber a visita da esposa e familiares no fim de semana. Ao contrário do que foi divulgado, ele nunca esteve recolhido no setor disciplinar, o chamado seguro. Ele continua detido numa cela comum da Penitenciária 1 de Presidente Bernardes com outros 8 detentos.A decisão revoltou alguns agentes, que relataram o episódio ao Estado. Eles consideram que o fato demonstra que Marcola mantém domínio sobre as autoridades. Marcola recebe ajuda de outros comparsas, conhecidos por Pateta, Carambola e Maidana. As ameaças de Marcola começaram na quinta-feira, quando a imprensa publicou que ele teria sido levado para o setor disciplinar e ontem, com a decisão da SAP de transferi-lo, elas foram mais intensas. "Durante todo o dia penitenciárias de todo o Estado nos ligaram para saber se Marcola estava mesmo recolhido", contou um dos agentes que não quis ser identificado. Segundo este mesmo agente, em 20 anos de profissão, nunca viu situação mais perigosa que a atual.Um outro agente revelou que a falha da SAP foi não ter transferido Marcola e os líderes do PCC na terça-feira, após as revista, na qual foram encontradas5 celas com as grades cerradas. Segundo os agentes, apenas cinco detentos, considerados "laranjas", foram levados para o seguro. Nessas 5 celas, havia mais de 100 detentos.O clima de tensão foi relatado também pelo delegado Seccional de Polícia de Presidente Prudente, Marcos Mourão. "O clima lá dentro está tenso tanto entre os detentos quanto entre os agentes", declarou.

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