Líder do PCC foi para cadeia ''''fácil''''

Balengo, acusado de liderar ataques em São Paulo, em 2006, foi transferido para prisão agrícola sem muralhas

Marcelo Godoy e Walmaro Paz, O Estadao de S.Paulo

05 de março de 2008 | 00h00

Integrante do primeiro escalão do Primeiro Comando da Capital (PCC), Carlos Antônio da Silva, o Balengo, foi transferido de uma prisão segura para outra de onde era fácil fugir. Quem diz é o diretor da Superintendência de Serviços Penitenciários (Susep) do Rio Grande do Sul, Bruno Trindade. "Aquela penitenciária é para presos bem-comportados. Quem vai para lá e quer fugir, foge mesmo", afirmou, em Porto Alegre.Balengo, de 29 anos, estava na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueada (Pasc) e foi mandado, na semana passada, por ordem judicial, para o Instituto Penal Mariante, em Venâncio Aires (RS). O lugar é uma prisão agrícola sem muralhas. Resultado: o líder do PCC permaneceu ali apenas 12 horas. O juiz-corregedor do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Márcio André Keppler Fraga, afirmou que a transferência de Balengo obedeceu a todas as normas jurídicas das execuções criminais.Conforme o magistrado, Balengo foi condenado pela Justiça Federal do Rio Grande do Sul a sete anos de prisão por tentativa de furto e formação de quadrilha. Ele começou a cumprir a pena em 2 de setembro de 2006 e em 1º de novembro do ano passado atingiu o tempo de um sexto da pena. Em outubro, seus advogados entraram com o pedido de progressão do regime de cumprimento de pena do fechado para o semi-aberto. Na ocasião, o juiz da Vara de Execuções Criminais, Fernando Flores Cabral Júnior, pediu as informações de praxe e recebeu um atestado de bom comportamento da direção da Pasc. Balengo foi avaliado por psicólogos e assistentes sociais da Susep, que o consideraram apto para o semi-aberto. O parecer do Ministério Público também foi favorável à progressão da pena. No dia 29 de janeiro, o responsável da Vara de Execuções Criminais, Fernando Cabral Júnior, concedeu o pedido feito pelos advogados do líder do PCC. Antes, pediu mais informações para a Justiça Federal, que atestou que ele não tinha outra condenação. "Não há nos autos indicativo de que o apenado tenha outros mandados de prisão", explicou o juiz. De fato, Balengo, apesar de a inteligência da polícia saber que ele é do primeiro escalão do PCC, nunca foi acusado de formação de quadrilha por pertencer à facção.Em 2005, o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) recebeu as transcrições de centenas de horas de conversas de integrantes do PCC gravadas com autorização de um juiz de Tupã (SP). Os policiais concluíram a degravação no fim de 2005 e, em 2006, enviaram cerca de 2 mil páginas com transcrições dos grampos para o Instituto de Criminalística. O trabalho foi concluído no fim de 2007 e enviado à Justiça, em Presidente Bernardes (SP), que analisa o caso. Até agora, não há registro de indiciamento de Balengo no caso.ALEMÃOEm Fortaleza, Antônio Jussivan Alves dos Santos, o Alemão, de 41 anos, negou em depoimento, ontem, ter planejado e financiado o furto milionário ao Banco Central do Ceará, em 2005. Preso na semana passada, ele disse que foi convidado a participar do crime pelo traficante Luiz Fernando Ribeiro, morto em outubro do mesmo ano, e admitiu ter ficado com R$ 5 milhões dos R$ 164,7 milhões furtados. Ele foi transferido para Mato Grosso do Sul. COLABOROU CARMEN POMPEU, ESPECIAL PARA O ESTADO

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