Líder do PCC teria dado aval a assassinato de juiz

O líder máximo do primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, foi avisado da morte do juiz-corregedor Antonio José Machado Dias. A descoberta foi feita nesta segunda-feira. A polícia apura agora se líderes da organização participaram diretamente do crime ou apenas tinham conhecimento com antecedência da execução.Isso porque um bilhete foi apreendido por funcionários da penitenciária de segurança máxima de Avaré, onde Marcola está preso. Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária, o documento tinha como destino o líder da facção criminosa.Trechos divulgados do bilhete afirmam que: "A caminhada já foi feita. Machadinho (apelido do juiz) já era. Operação foi bem-sucedida. O paciente foi operado."A polícia desconfia que os executores do crime, que teriam relações com a facção, queriam ter certeza de que a ação não seria vetada pela cúpula da organização.Sobre a possibilidade de interrogar os líderes do PCC, o delegado Emygdio Machado Neto, chefe da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio do Departamento de Investigações contra o Crime Organizado (Deic), afirmou que, por enquanto, essa hipótese está descartada. "Não vamos trazer ninguém para cá", disse.Em outra linha de investigação, a polícia averigua uma pistola calibre 9 mm encontrada em Mato Grosso do Sul, que pode ser a arma utilizada para assassinar Dias, o juiz-corregedor de Presidente Prudente Dias, na sexta-feira. A pistola - que se encontra em Campo Grande - está sendo submetida a exames de balística para confirmar a suspeita.As investigações do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) estão concentradas em quatro cidades do interior de São Paulo e na região metropolitana. Além da pistola apreendida em MS, os homens do DHPP estão fazendo uma espécie de pente-fino em busca de armas iguais por toda a região. O raciocínio é que os executores devem ter se desfeito da arma do crime. Até fazendas estão sendo visitadas pelos policiais.Os investigadores do DHPP estão próximos de identificar um segundo carro utilizado pelos assassinos do juiz. O veículo teria sido usado no controle da rotina do juiz pelos bandidos - que durou cerca de uma semana - e na continuidade da fuga após os assassinos terem abandonado o Uno branco com placas frias de Presidente Prudente, usado para fechar o Vectra do magistrado.Os retratos falados obtidos graças aos policiais do DHPP foram espalhados pela polícia em cerca de 50 municípios da região onde o crime o correu. Os investigadores do departamento acreditam ainda que os assassinos receberam suporte de alguém da região de Presidente Prudente.A polícia trabalha com uma divisão de tarefas. O Deic devia ouvir ainda nesta terça-feira um homem, identificado como Jairo, principal suspeito de ter feito a placa falsa AAX-2118, colocada no Uno usado pelos assassinos. Jairo havia prometido apresentar-se ao delegado Ruy Ferraz Fontes, da Delegacia de Roubo a Bancos do Deic, responsável pelas investigações que desarticularam parte da cúpula do PCC.Nesta terça, o presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Sérgio Augusto Nigro Conceição, e o corregedor-geral da Justiça, Luiz Elias Tâmbara, estiveram reunidos com os juízes de Presidente Prudente. Os dois chegaram às 9 horas ao fórum da cidade e participaram de uma reunião com integrantes da Polícia Civil que investigam o crime.Em seguida, se reuniram com os juízes das comarcas da região e receberam sugestões dos magistrados. "Recebi várias sugestões que terão respostas até a próxima semana. O TJ tomará as medidas para pôr fim aos abusos", disse Nigro Conceição.

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