Líder do roubo ao BC de Fortaleza depõe na Justiça Federal

Raimundo Laurindo Barbosa Neto, o "Neto Laurindo", de 39 anos, apontado com um dos líderes da quadrilha que furtou R$ 164,7 milhões do Banco Central de Fortaleza, em agosto do ano passado, depôs nesta segunda-feira, 6, na Justiça Federal. Ele negou envolvimento no crime. De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, Neto foi um dos homens que entraram no caixa forte do banco e também teria ajudado a financiar a ação "investindo" R$ 10 mil. Ele foi preso em setembro deste ano, em Parnaíba (PI), durante a operação Facção Toupeira, deflagrada pela Polícia Federal (PF).Alegando ser analfabeto e que, portanto, mal sabe assinar o próprio nome, o acusado negou em juízo participação no furto ao BC. Ele disse que há cerca de oito anos é garimpeiro de diamantes e cristais e que, entre os anos de 2005 e 2006, teria conseguido "uma pedra boa de cerca de R$ 400 mil" no garimpo de Juninho, na reserva indígena de Xingu, em Mato Grosso. Contou ter investido o dinheiro na compra de mais pedras. E, com o lucro do negócio, adquiriu um posto de gasolina no Pará, comprou uma churrascaria, um hotel e um pequeno sítio em Alto Alegre (MA); e uma chácara em Pium (TO).A versão apresentada por ele agora é bem diferente da apresentada durante depoimento à PF do Piauí, em setembro, quando foi preso. Naquela ocasião, Neto teria confessado participação no furto ao BC de Fortaleza do qual teria ficado com R$ 4,9 milhões. Diante do juiz, no entanto, ele afirmou que tal depoimento foi colhido sem a presença de um advogado e que, por não saber ler direito, o assinou sem saber o que estava escrito.Além de Neto, o juiz Danilo Fontenelle Sampaio, da 11ª Vara Federal, ouviu também nesta segunda outros quatro acusados: Os advogados paulistas Eliseu Minichilo de Araújo, o "Doutor Paciência", defensor de cinco acusados e que responde por apresentação de falsos documentos, e Edson Campos Luziano, que, segundo a PF, teria intermediado o resgate de Neto, no valor de R$ 350 mil, em uma prática de extorsão de policiais civis de São Paulo; o oficial da Polícia Militar do Pará, Benedito Ferreira da Silva, que admitiu administrar um posto de combustível pertencente a Neto, na cidade de Marabá; e o baiano Alexandre Rogério Borges dos Santos, acusado de "lavar" e guardar parte do dinheiro do BC.O depoimento de Luziano foi o mais emocionado. Questionado pelo juiz Sampaio se conhecia o policial identificado apenas pelo prenome "Vítor" e acusado de seqüestrar "Neto Laurindo", ele respondeu que, por ser um "alvo fácil em São Bernardo", não teria condições de responder.Chorando compulsivamente, Luiziano contou ter recebido, inicialmente, em seu escritório, uma ligação de um homem que disse ser policial e estar com um cliente dele. O tal homem lhe pediu endereço. Logo depois, quando desceu para tomar um café, foi abordado por dois homens que estavam com um outro de cabeça baixa sentado no banco traseiro em uma Blazer preta com vidros escuros. Até aí, segundo a versão do advogado, ele não conhecia Neto. Mas lembrava já ter trabalhado para um irmão dele, Jeovan Laurindo da Costa.Os tais policiais teriam pedido para Luziano pegar o dinheiro do resgate, mas este se recusou ao lembrar do episódio envolvendo o traficante Luís Fernando Ribeiro, o "Fernandinho", acusado de financiar o furto ao BC, e que foi morto em outubro do ano passado mesmo após ter pago R$ 2,1 milhões pelo resgate.Luiziano disse que, enquanto ocorria tal conversa, uma senhora se aproximou do outro lado da rua, com uma sacola cheia de dinheiro, próximo a uma praça, e a entregou a um dos policiais. Os seqüestradores, então, pediram para conferir o montante no escritório do advogado. Ele teria ficado com Neto e um dos seqüestradores numa sala enquanto o outro contava o dinheiro em uma outra sala.DepoimentosOs depoimentos começaram a ser tomados por volta do meio dia e só terminaram no início da noite. Neto foi o primeiro. No total, 21 pessoas serão interrogadas pela Justiça Federal, com audiências conduzidas pelo juiz Danilo Fontenele Sampaio.Os últimos interrogatórios acontecem na terça-feira, 7, quando serão ouvidos Lucilane Laurindo da Costa, o Lânio, irmão de Neto, que teria ajudado a quadrilha na "lavagem" de parte do dinheiro furtado; Veriano Laurindo da Costa, que teria ajudado a esconder parte do montante furtado; e José Lúcio da Costa, o Joel do Promissão, também conhecido como Coqueiro.Matéria ampliada às 23h43

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