Líder do tráfico na Rocinha tenta forjar própria morte

Médico que assinou atestado de óbito falso e recebeu R$ 150 pelo serviço está preso

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo,

01 de fevereiro de 2010 | 18h25

A Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) frustrou a tentativa de forjar a própria morte do traficante Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, de 33 anos, apontado como líder do tráfico da favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul do Rio. O médico Dalton Jorge, que assinou o atestado de óbito e recebeu R$ 150 pelo serviço está preso.

 

A polícia investiga se o traficante usaria o corpo de alguém para simular o enterro marcado para última sexta-feira, às 16h15, na Quadra 8, do Cemitério do Caju, na zona norte.

 

No atestado, o local do óbito é a sede 15ª Delegacia de Polícia (Gávea), a distrital que investiga o traficante por tráfico e associação para o tráfico desde 2005. De acordo com a Polícia Civil do Rio, Nem usaria uma nova identidade em que apenas abreviou os nomes dele e dos pais, além de alterar em um dia a data de nascimento.

 

O objetivo de simular a morte seria escapar do cerco policial, de acordo com os investigadores da DRFA. No entanto, segundo moradores da Rocinha, Nem continua circulando normalmente pela favela e, na sexta-feira, participou da festa de aniversário de um dos gerentes do tráfico. A comemoração contou com distribuição de bebidas e duas queimas de fogos.

 

Conhecido pelas festas na favela, o traficante também se destaca pelo estilo extravagante e gastador. A namorada do bandido, Danúbia Rangel, de 25 anos, publicou fotos em um site de relacionamentos onde exibe joias com as iniciais do traficante e fotos de passeios de helicóptero e de barco pagos por ele.

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