Líder do tráfico no Rio tem morte cerebral

Principal distribuidor de armas para favelas, Robinho Pinga foi internado em coma profundo

Felipe Werneck, O Estadao de S.Paulo

26 de dezembro de 2007 | 00h00

Preso desde 2005 e apontado pela polícia como o maior distribuidor de drogas e armas para traficantes do Rio, Róbson André da Silva, o Robinho Pinga, de 33 anos, estava internado ontem em coma profundo no Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro do Rio, com "aparente morte cerebral", segundo a Secretaria da Saúde. Ele foi levado às pressas para o hospital em uma ambulância, sob escolta da Polícia Militar, no fim da tarde de segunda-feira. O criminoso cumpria pena na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, e foi transferido para o Rio em novembro, por decisão da Vara de Execuções Penais do Estado, para ser examinado por neurologistas do Hospital Central Penal de Gericinó, na zona oeste. Com o pedido de transferência, foi anexado exame de ressonância magnética que apontava necessidade de tratamento de um tumor no cerebelo.Além de chefiar o tráfico em favelas do Rio, o criminoso também agiria em São Paulo, Minas, Espírito Santo e Bahia, segundo a polícia. Em abril de 2004, foi descoberto um paiol com 8 minas terrestres, 161 granadas e cerca de 30 mil munições, supostamente desviadas das Forças Armadas, na Favela da Coréia, zona oeste, que seria comandada por Robinho Pinga.O traficante está preso desde 23 de dezembro de 2005. Ele foi localizado em Sorocaba (SP) por policiais da Divisão de Repressão a Armas e Explosivos (Drae) da Polícia Civil fluminense, com apoio do Departamento de Investigações Criminais (Deic). A Secretaria da Segurança do Rio apresentou gravações feitas com autorização judicial que mostravam Robinho Pinga ordenando execuções e a compra de armas e munições. O então titular da Drae, delegado Carlos Oliveira, disse que o criminoso fornecia cerca de 60 quilos de cocaína por semana para favelas da zona oeste do Rio. Ele foi preso na casa da mulher, em Sorocaba. Em outra residência em Itatiba (SP) que também seria dele, foram apreendidos documentos, uma submetralhadora alemã e uma pistola, ambas calibre 9 milímetros. Na ocasião, havia sete mandados de prisão contra ele, com base em acusações de receptação e posse de minas terrestres, associação para o tráfico de drogas e tráfico de armas. A polícia fluminense informou que Robinho Pinga começou a atuar em São Paulo em 2001. Uma das bases no Estado seria Atibaia, onde os filhos dele estudaram, segundo as investigações. O traficante teve na cidade uma marmoraria de fachada, que teria sido usada para distribuir cocaína e maconha. Ele estaria de mudança para Vitória (ES) quando foi preso. Com uma Bíblia nas mãos, o criminoso se disse "religioso", em depoimento à polícia, após a prisão. Ele já havia sido preso em 2002, numa casa avaliada em R$ 400 mil em São Paulo. Foi solto uma semana depois, por meio de um habeas-corpus. Em junho, a Drae divulgou escutas telefônicas que apontaram a suposta participação do criminoso em um esquema de cobrança de propina das máfias dos caça-níqueis e das vans piratas.

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