Líder dos 'aliados rebeldes'

Em seu 11.º mandato de deputado, o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), traçou um único objetivo pelos próximos dois anos: eleger-se, em 1.º de fevereiro de 2013, presidente da Câmara. E foi com esse foco que o peemedebista subiu à tribuna da Câmara, na noite de terça-feira, e fez um discurso de candidato: falou o que a plateia queria ouvir e, a despeito das pressões do Planalto, manteve a palavra de que o Código Florestal seria votado. Com essa atitude, saiu fortalecido e conseguiu se cacifar como o candidato mais forte à sucessão de Marco Maia (PT-RS).

, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2011 | 00h00

O deputado conseguiu que a bancada votasse praticamente unida a favor de uma emenda do partido que dá anistia aos desmatadores no Código Florestal. Em um plenário no qual o clima era majoritariamente contra a posição do governo, demonstrou ao seu público interno estar do lado dos deputados, enfrentando o Planalto, que ameaçou demitir ministros peemedebistas em represália à rebelião do partido. "Peço aos meus ministros que não constranjam, até porque não vai adiantar nada. Antes de serem ministros são meus companheiros de partido", disse.

Para o governo, fez também o discurso de fidelidade e de parceria. Lembrou que Michel Temer (PMDB-SP) foi eleito na mesma chapa de Dilma Rousseff. "Não sou aliado do governo Dilma, sou governo Dilma. Eu tenho o vice-presidente, que não foi nomeado, foi eleito. Eu sou o governo de Michel e sou o governo de Dilma; sou governo do PMDB e sou governo do PT", discursou.

No foco de se eleger presidente da Câmara, a posição firme do deputado no processo de votação do Código Florestal foi turbinada pela ameaça do crescimento do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP). A popularidade alcançada pelo comunista em redutos da base acendeu uma luz amarela no grupo de Henrique Alves.

A despeito de sair chamuscado no conceito da presidente Dilma, ele seguiu o que o plenário no momento lhe exigiu: mostrar a quem servia, ao governo ou à Câmara. E optou em conseguir os votos que lhe darão mais poder de pressão no governo.

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