Líder grevista quis evitar invasão da Assembleia após áudios

Segundo amotinado, Marco Prisco considerou que conversas sobre atos de vandalismo foram vazadas para justificar entrada do Exército no centro da greve

tiago décimo e diego zancheta, Agência Estado e enviado especial

09 Fevereiro 2012 | 10h19

A divulgação de gravações telefônicas envolvendo o líder da ocupação na Assembleia Legislativa, o presidente da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), Marco Prisco, e outras lideranças da PM precipitaram o fim da ocupação, por parte de cerca de 300 policiais militares, no início da manhã desta quinta-feira, 9.

Segundo um dos ex-amotinados, que prefere não se identificar, Prisco avaliou, logo depois da divulgação, feita pelo Jornal Nacional, que os áudios haviam sido "vazados" das investigações para justificar a invasão ao prédio pelo Exército. "A greve precisa continuar, mas não quero que ninguém morra", disse aos interlocutores próximos.

No início da madrugada, Prisco enviou uma equipe para negociar a desocupação do prédio com o Exército. O principal entrave foi relativo à entrega de Prisco, que tinha um mandado de prisão expedido contra si. O sindicalista queria ser retirado da Assembleia por trás, fora do alcance de fotógrafos e cinegrafistas.

O pedido acabou atendido e a desocupação foi iniciada pouco depois das 6h. Prisco foi tirado do prédio junto com outra liderança do movimento que era considerado foragida, Antônio Paulo Angeline. Os dois são acusados de roubo de patrimônio público, incitação à violência e formação de quadrilha. Eles foram transportados, de helicóptero, da Assembleia para a Polícia do Exército, onde estão detidos.

Por volta das 7h30, o Exército declarou concluída a saída dos manifestantes da Casa e iniciaram os trabalhos de vistoria do prédio, concluído uma hora e meia depois. Todos os acessos ao Centro Administrativo da Bahia (CAB) foram liberados e as últimas tropas do Exército deixam o local.

Segundo o presidente da Assembleia, Marcelo Nilo, os trabalhos na Casa serão retomados ainda no fim da manhã. De acordo com ele, há muita sujeira no local, além de alguns vidros quebrados e algumas fechaduras danificadas. A intenção é que a abertura dos trabalhos na Casa neste ano, que havia sido suspensa por causa da ocupação dos grevistas, seja realizada amanhã, às 10 horas.

Depoimento. Às 10h30 desta quarta-feira, Marco Prisco, líder do movimento preso pela manhã, presta depoimento na sede do Exército na Avenida Paralela. Na região central, os grevistas fazem reunião para decidir os rumos do movimento.
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