Liderança do Brasil compensa custos no Haiti, diz Jobim

Ministro da Defesa disse que 'Brasil não pode ficar alheio a questões do continente'.

Bruno Garcez, BBC

06 Setembro 2007 | 07h01

O ministro da Defesa Nelson Jobim justificou a quantia gasta pelo Brasil na manutenção de forças de paz no Haiti, afirmando que o Brasil ''''não pode ficar alheio'''' às questões do continente americano e nem descuidar de seu ''''papel de liderança'''' na região. O ministro respondeu a uma reportagem do jornal O Estado de São Paulo que afirmou que os custos de manter 1.200 soldados no país caribenho representaram até o momento cerca de R$ 431 milhões, um valor 34% a mais do que a quantia investida no reaparelhamento das forças policiais no Brasil. Os comentários do ministro foram feitos pouco antes de ele partir da capital haitiana, Porto Príncipe, com destino a Brasília, nesta quarta-feira. Jobim lembrou que a operação do Brasil, que comanda as ações da Minustah (Missão de Estabilização da ONU no Haiti, na sigla em francês), é em parte reembolsada pela Organização das Nações Unidas. O ministro da Defesa voltou a afirmar que a experiência do país no Caribe é necessária para que o Brasil adquira prática em operações de combate em ambientes urbanos. Logo no início de seu giro pelo Haiti, na segunda-feira, Jobim comentou que o know-how obtido pelas tropas brasileiras em confrontos nas favelas haitianas poderia servir de base para ações semelhantes em locais como as favelas do Rio de Janeiro. "Na medida em que o Brasil mostra eficácia, nós podemos otimizar a memória dessas ações", afirmou. Mas ele acrescentou que para que isso ocorra, no entanto, será necessário promover um debate sobre possíveis reformas na legislação brasileira. Jobim diz não ser possível dizer se as reivindicações dos soldados brasileiros no Haiti serão atendidas. Os militares da divisão de engenharia querem mais cem homens para atuar em obras de restauração da infra-estrutura local e dizem necessitar de cerca de R$ 10 milhões para intensificar trabalhos como perfuração de poços, reforma de casas e escolas e pavimentação de ruas. "O nosso mandato (no Haiti) é determinado pela ONU e cabe à ONU decidir. A nós, cabe levantar os insumos necessários para cumprir a decisão que for tomada." Na terça-feira, o presidente do Haiti, René Preval, disse, após um encontro com ministros da Defesa de países latino-americanos com tropas no Haiti, entre eles Jobim, que gostaria que as forças da Minustah atuassem também na fiscalização de fronteiras e da região costeira do Haiti. O pedido de Preval depende da aprovação da ONU, uma vez que o atual mandato das tropas de paz não contempla ações de militares nas divisas da nação caribenha.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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