Peter Rae/ AAP Image / AP
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Líderes católicos na Austrália não farão padres reportarem confissões de abusos sexuais

Depois de uma dezena de revelações, o governo australiano criou em 2012 uma comissão de investigação sobre as respostas institucionais aos crimes de pedofilia

O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2018 | 07h23

SYDNEY, AUSTRÁLIA - Os líderes católicos australianos se comprometeram nesta sexta-feira, 31, a combater a pedofilia na Igreja Católica, mas rejeitaram um pedido para suspender o segredo da confissão, mesmo quando envolve esse tipo de abuso.

A recomendação de que os padres sejam processados por não reportarem provas de pedofilia ouvidas no confessionário foi uma das principais conclusões da Comissão Real da Austrália para Respostas Institucionais ao Abuso Sexual de Crianças.

"Muitos bispos não escutaram, não acreditaram ou não agiram", disse o presidente da Conferência dos Bispos Católicos australianos, o arcebispo Mark Coleridge. "Os bispos e dirigentes de ordens religiosas disseram hoje: nunca mais”, acrescentou ele. "A única recomendação que não podemos aceitar é sobre retirar o segredo da confissão.”

Depois de uma dezena de revelações, o governo australiano cedeu em 2012 e criou uma comissão de investigação sobre as respostas institucionais aos crimes de pedofilia. Em seu relatório, o grupo concluiu que a Austrália "falhou gravemente em suas obrigações" em relação às crianças durante décadas.

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Com base no testemunho de milhares de vítimas, o relatório concluiu que 7% dos religiosos católicos australianos foram alvos de acusações de abuso sexual contra crianças entre 1950 e 2010, sem que tais suspeitas levassem a qualquer acusação formal.

Em maio, o ex-arcebispo de Adelaide Philip Wilson, de 67 anos, foi condenado por omitir os abusos cometidos pelo padre pedófilo Jim Fletcher, nos anos 1970, no Estado de Nova Gales do Sul. Wilson é um dos eclesiásticos de mais alto escalão na hierarquia católica mundial a ser condenado por esse tipo de crime.

O papa Francisco adotou a linha de tolerância zero contra a pedofilia na Igreja, após uma série de escândalos que abalaram e continuam abalando seu papado. / AFP e AP

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