REUTERS/Josemar Goncalves
REUTERS/Josemar Goncalves

Líderes de facção que comandou ataque no RN são transferidos

Detentos serão interrogados pela Polícia Civil; governador quer ajuda da Força Nacional

Rafael Barbosa, Especial para O Estado

16 Janeiro 2017 | 20h31

O governo do Rio Grande do Norte retirou para depoimento, na tarde desta segunda-feira, 16, os presos apontados como líderes do massacre que vitimou 26 presidiários dentro da Penitenciária Estadual de Alcaçuz. Eles serão interrogados pela Polícia Civil, que apura o que aconteceu dentro da unidade carcerária entre o sábado e a madrugada do domingo, e devem ser levados para outra unidade estadual. 

Durante o dia, os detentos que permanecem dentro da penitenciária voltaram a se rebelar. Os homens subiram nos tetos dos pavilhões e trocaram ameaças, enquanto empunhavam facas e pedaços de pau, e erguiam bandeiras das facções às quais pertencem: Primeiro Comando da Capital (PCC) e Sindicato do Crime do RN (SDC). A discussão no telhado já havia sido registrada na noite do domingo, 14, quando os ânimos foram contidos pelos agentes carcerários.

Quarenta e oito horas depois do início do motim, detentos do Presídio Rogério Coutinho Madruga ainda detinham o controle da unidade, que é vizinha à Penitenciária de Alcaçuz, invadida durante a rebelião. Apesar de não darem sinais de confronto ou baderna, eles permaneciam soltos do lado de fora do pavilhão, que funciona no mesmo terreno de Alcaçuz. 

Nesta segunda, o Grupo de Operações Especiais, o Grupo de Escolta Penal e o Batalhão de Choque da Polícia Militar entraram em Alcaçuz para realizar uma revista e retirar de lá os presidiários apontados como líderes do massacre. 

O sistema carcerário do Rio Grande do Norte segue sob tensão, em todas as suas unidades. Em Alcaçuz, especificamente, a segurança foi reforçada. O governador Robinson Faria (PSD) informou por meio de sua conta no Twitter que vai até Brasília pessoalmente para tentar conseguir mais reforços da Força Nacional. Faria disse ainda que solicitou uma audiência com o presidente Michel Temer para tratar do assunto. O encontro, todavia, ainda não está confirmado.

Ainda no sábado o secretário de Justiça e Cidadania, Wallber Virgolino, informou que o motim foi iniciado por presos vinculados ao PCC.

Natal. Nesta segunda-feira, foi registrado um princípio de rebelião no Presídio Provisório Professor Raimundo Nonato Fernandes, na zona norte de Natal. Os apenados construíram barricadas para impedir a entrada de agentes carcerários e ameaçam atacar os presos que ficam no pavilhão 2 da unidade, que são rotineiramente intimidados pelos demais por auxiliarem nos serviços gerais do presídio.

De acordo com a presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, Vilma Batista, a rebelião aconteceu em represália ao massacre que foi registrado na Penitenciária de Alcaçuz.

Vilma Batista diz ainda que os detentos juraram vingança e que essa resposta não vai acontecer somente dentro dos estabelecimentos prisionais do Estado do Rio Grande do Norte. O Grupo de Operações Especiais dos agentes carcerários entrou na unidade e conteve a rebelião. Vilma afirma que os agentes conseguiram impedir o contato entre os rebelados e os presos que seriam atacados. Ninguém saiu ferido.

Veja a seguir os nomes dos presos transferidos de Alcaçuz:

Paulo da Silva Santos

João Francisco dos Santos

José Cândido Prado

Paulo Márcio Rodrigues de Araújo

Tiago Souza Soares

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