Líderes defendem Carlinhos

Para a base governista e o PT, vereador é inocente

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2008 | 00h00

Da base governista à bancada do PT, passando pelo bloco de 30 vereadores formado pelo "Centrão", além de procuradores jurídicos da Casa, um movimento para "blindar" o vereador Antônio Carlos Rodrigues, o Carlinhos, teve início pela manhã em diretórios políticos e dentro da sede do Legislativo. Nenhum parlamentar chegou a levantar suspeitas sobre Carlinhos, com exceção de Soninha (PPS). Lideranças até colocaram em dúvida a legitimidade das investigações da PF. "Eu conheço o Carlinhos há mais de 20 anos, nunca vi qualquer ato ilícito por parte dele", afirmou Carlos Apolinário, líder do DEM. O parlamentar diz nunca ter ficado sabendo de exigência de contrapartida do presidente da Casa para a aprovação de projetos do Executivo. "Quem pode responder isso melhor é o Netinho, líder de governo."Questionado se havia pressão de Carlinhos e do "Centrão" para a aprovação de iniciativas do governo, José Police Neto (PSDB), o Netinho, negou. "Nunca houve pressão por cargos, nunca fui constrangido ou pressionado", respondeu.No PT, o primeiro-secretário da Mesa Diretora, Antonio Donato (PT), afirmou não ter motivos para duvidar da palavra do presidente. "Diante dos fatos relatados, eu acredito na defesa do presidente", concluiu. Procurado, o vereador Zé Américo (PT) também disse ter a mesma convicção. "Eu convivo com o Carlinhos e sei que esse tipo de coisa não é do feitio dele", declarou. Outros parlamentares do "Centrão" foram ainda mais enfáticos na defesa. "O Carlinhos é uma figura leal e transparente. Ele não tem nada a ver com essas acusações", disse o vice-presidente do Legislativo, Adilson Amadeu (PTB). "Macaco quando não consegue comer a banana diz que ela está podre", emendou Agnaldo Timóteo (PR), sugerindo, sem citar nomes, que Carlinhos seria alvo de alguém interessado em ocupar o seu cargo.Gilberto Natalini, líder da bancada de 12 vereadores tucanos, evitou comentar o assunto. "Não queria me posicionar antecipadamente sobre um assunto que tomei conhecimento só pelos jornais. Amanhã (hoje) vamos reunir a bancada e discutir o tema."Até Cláudio Prado (PDT), citado por Carlinhos como o vereador que recebia em seu gabinete o lobista de um prostíbulo da zona sul, evitou criticar o presidente da Casa. "Não sei os motivos da citação, ainda vou conversar com o presidente", despistou Prado. "Eu nunca fiz lobby para ninguém", completou.

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