Líderes divergem sobre responsável por mudança

Freire diz que Lula adiou a reforma política, mas Bigardi e petebista querem ver o Congresso como protagonista da tarefa

, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2010 | 00h00

A participação direta de um presidente recém-eleito para fazer a reforma política foi um ponto que causou forte polêmica durante o debate. Roberto Freire, do PPS, defendeu que nem Lula nem FHC quiseram comprar a briga da aprovação da proposta, um tema não consensual entre parlamentares. "Não é que o presidente não queira, mas ele pensa assim: por que vou dividir a minha base? Assim, Lula não quis levar adiante a reforma", comentou. Para o ex-senador, um presidente logo após sua diplomação teria força política e apoio para tocar a reforma.

Edinho Silva, do PT, defendeu o presidente. "Não é correto cobrar do presidente que ele faça a pauta do Congresso. Lula assumiu em um momento de grande instabilidade e hoje temos uma política de inclusão social que trouxe à economia 25 milhões de brasileiros", argumentou. O dirigente petista fez questão de lembrar que o governo FHC também não fez a reforma política, tema recorrente na história parlamentar brasileira.

Discordância. Pedro Bigardi, do PC do B, e Waldomiro Ramos, do PTB, contestaram a posição do presidente do PPS, que defendeu o protagonismo do Executivo na questão. "Não podemos rebaixar o papel do Congresso, que precisa ser protagonista, nesta questão. Essa é uma tarefa do Legislativo e, por isso, discordo respeitosamente do senador", disse Bigardi. Já o petebista considera uma "ingerência indevida" do Executivo sobre o Legislativo a participação de um presidente em um assunto que diz respeito a outro poder, que deveria ser autônomo e harmônico com o Executivo. "Não há dúvidas que se trataria de uma enorme ingerência neste caso."

Freire se defendeu: "Não se trata de ingerência, mas de liderança. Um presidente que queira a reforma política pode obrigar o Congresso a se organizar nesse sentido", disse. Por isso, afirmou, o presidente deve ser criticado por não ter exercido sua liderança para garantir a aprovação da proposta. "É por essa razão que se faz a crítica a Lula e as governos anteriores. O presidente teve dificuldades para fazer a reforma e não enfrentou os obstáculos", questionou.

Na opinião de Edinho, Lula não poderia ter cuidado dessa questão ao mesmo tempo em que enfrentava outras grandes dificuldades do País. "O presidente enfrentou uma das mais graves crises econômicas da história. O próprio cenário dessa mesa, com tantas opiniões divergentes sobre o tema, demonstra a dificuldade de se fazer uma reforma política", argumentou.

Ivan Valente, do PSOL, lembrou que os partidos precisam cumprir o que prometem. "Não pode falar uma coisa e fazer outra. Na reforma eleitoral de 2006, várias coisas foram proibidas, mas não se votou o teto de campanha, embora houvesse um acordo nesse sentido."

Convidados, o PP, do deputado federal Paulo Maluf, e o PDT, do também deputado Paulinho da Força, não mandaram representantes ao debate. Ambos têm representação na Câmara federal.. / M.A.

Ficha Limpa. Ouça a íntegra do debate entre os partidos

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