Líderes do MST negociam com autoridades federais em Brasília

Ministro Paulo Bernardo ouviu reivindicações na parte da manhã; à tarde, grupo foi recebido pelo presidente do Incra

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 00h00

Após invadir, na segunda-feira, a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Brasília e em mais seis Estados, o Movimento dos Sem-Terra (MST) foi recebido ontem por autoridades federais. O primeiro encontro ocorreu no final da manhã, no gabinete do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que ouviu a pauta de reivindicação dos sem-terra.

À tarde os líderes do MST foram recebidos pelo presidente do Incra, Rolf Hackbart. No início da noite, segundo informações da assessoria do instituto, a reunião não havia terminado.

Hackbart também levou para o encontro os diretores do Incra ligados às áreas de obtenção de terras para a reforma agrária, desenvolvimento de projetos nos assentamentos e educação - as três principais reivindicações da jornada de ações do MST neste mês, conhecida como "abril vermelho". Também estiveram presentes representantes do ministro Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário.

Ações continuam. Paralelamente às negociações em Brasília, o MST continuou promovendo atos em defesa da reforma agrária em diferentes Estados. Em São Paulo, crianças, jovens e adultos de diferentes assentamentos montaram uma sala de aula diante do prédio da Secretaria Estadual de Educação, na Praça da República, no centro da cidade. Protestavam contra a falta de escolas nos assentamentos.

"As crianças têm que se deslocar até as cidades, passando a maior parte do tempo em ônibus de péssima qualidade", disse Claudete Pereira de Souza, da direção do MST no Estado. "As poucas escolas que existem nos assentamentos estão sendo fechadas."

Em Aracaju, os sem-terra realizaram uma passeata pelas principais ruas da cidade. Levavam faixas e cartazes com os dizeres "lutar não é crime" - um dos temas do "abril vermelho" deste ano.

Na capital cearense, os manifestantes bloquearam uma faixa da Avenida José Bastos, exatamente no trecho onde fica a sede do Incra - ocupada desde a noite de anteontem.

No Rio Grande do Sul, as manifestações ocorreram em Passo Fundo e Pelotas. Militantes ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar bloquearam o acesso de duas agências da Caixa Econômica Federal, uma em cada cidade. À tarde, ao saber das negociações, o protesto foi encerrado.

Tom crítico

A presidenciável petista Dilma Rousseff condenou ontem as ocupações de prédios públicos pelo MST. "É incorreto e ilegal e não se pode conviver com ilegalidade estando no governo."

/ COLABORARAM CARMEM POMPEU, ESPECIAL PARA O ESTADO e ELDER OGLIARI

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