Líderes são transferidos de presídio no PR

O secretário de Segurança Pública do Paraná, José Tavares, disse hoje à tarde, logo após uma reunião com os líderes da rebelião na Penitenciária Central do Estado do Paraná (PCE), em Piraquara, que eles serão transferidos amanhã pela manhã para os locais que escolheram. Com isso, terá encerrada a rebelião iniciada por volta das 18 horas de quarta-feira. Ao contrário de outras rebeliões, as negociações foram feitas a portas fechadas."Amanhã cedo eles saem e entregam os 26 reféns e as armas", afirmou Tavares. Segundo o secretário, os presos teriam preferido aguardar, por acreditar que durante o dia teriam mais segurança. "Se depender de nós, acabou", acentuou. "É um acordo que fizemos de boca, mas de minha parte não mudará nada."O advogado de quatro dos integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), que estão entre os líderes do movimento, Jerônimo Ruiz Andrade Amaral, disse que há 99,9% de possibilidades de haver uma solução para o problema amanhã.O secretário disse que não foi fácil negociar com os Estados a troca dos 23 líderes que pretendiam ser transferidos. Ele contou com a intermediação do Ministério da Justiça em alguns casos. Apenas o Estado de Mato Grosso recusou-se a receber os três que pretendiam ir para lá. No entanto, Mato Grosso do Sul dispôs-se a recebê-los, junto com outro que já tinha como destino esse Estado.Desde que começou a rebelião, o momento mais tenso foi registrado hoje pela manhã. Por volta das 11h30, os rebelados levaram dois reféns para a laje de um dos alojamentos da PCE. Um deles tinha uma arma apontada para a cabeça de um refém. Os presos também apresentaram uma granada. "Estamos preparados para morrer ou matar", gritou um dos presos. "Alguma gracinha e a tragédia será pior que a do Carandiru." Os presos temiam uma invasão da penitenciária, apesar de o número de policiais ser bastante inferior ao de outras rebeliões. Eles disseram que foi feita uma barricada de colchões e colocados botijões de gás interligados para explodir o local no caso de invasão. Um dos reféns também gritou. "Vejam o que fazem por nós e por eles, porque nós estamos nas mãos deles", implorou.O principal líder da rebelião, o preso José Márcio Felício, o Geléia, fez questão de mostrar seu poder, permanecendo por algum tempo sentado em uma cadeira, circundado por outros detentos. Uma informação extra-oficial é que a mulher do preso Gilmar Angelo dos Santos, o Mamá, também do PCC, esteve no fim de semana na penitenciária levando as armas. Suspeita-se que eles estejam com quatro pistolas e sete revólveres, além de duas granadas.O secretário disse que não houve nenhum problema nas instalações da PCE, o que facilitará a revista do local após o término da rebelião. É possível que mesmo os parentes dos presos que ficarem tenham permissão para entrar no domingo, dia de visitas.Tavares entende ser "impossível" evitar que rebeliões como esta aconteçam. "Dentro das unidades prisionais existe uma outra sociedade, que é sociedade criminal organizada", afirmou.Os presos que serão transferidosMisael Aparecida da Silva, César Augusto Roriz Silva, José Márcio Felício, Gilmar Angelo dos Santos, Lourival Lima Santos Filho, Emerson de Souza Almeida, Geraldo Moreira Lemes Neto, Wilson Victor Huchek, Wilson da Silva, Edson Amadeu Ferreira de Lima, José Pereira da Silva, Vanderlei de Oliveira, Gilmar Soares da Silva.Mato Grosso do Sul - Lindomar da Silva Alves, Arlei Felício da Silva, Pedro Raimundo de Oliveira, Márcio Machado Pereira.Santa Catarina- Gilberto Elisbão, Ezequiel Alves, Joselito Soares, Claudinei André da Costa.Amazonas - Elgon Jobel Fernandes GuerreiroPará - André Almeida Cabral

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